quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Consumida



CONSUMIDA



Este homem que comigo se deita,
Tem um jeito especial de dizer
Coisas absurdamente lindas,
Explícitas eu diria.
Tem a pele morena onde a roupa
Mostra e branca onde só eu vejo.
De teu corpo vem um calor imenso
Que o meu absorve e faz-me derramar
Em suores e licores.

A voz soa como um acorde de bandolins.
Fico de perna bamba cada vez que ele
Abre a boca e diz que me ama.
Fadada ao delírio, esparramada na cama,
Sou dele o objeto.
Sou consumida por noites seguidas, como
Se fora dele a comida e o ar que respira.

Para ser bem sincera, estou vivendo no
País do tesão ou seria perdição?
Tudo faz sentido, porque sou devorada e
Vou morrer no paraíso.
Mas levando comigo as marcas de tuas
Mordidas tatuadas do pescoço ao umbigo.

Tenho um jeito...




TENHO UM JEITO...

Tenho um jeito inconseqüente
De borboleta monarca,
A pousar em sândalo proibido
Que dele é o perfume preferido.

Tenho um jeito irreverente,
Meio contundente
De dizer palavras incoerentes
Quando em desejos latentes.

Tenho um jeito agressivo
De manter-me sempre na defensiva.
Tentativas vãs de fugir de tuas
Investidas.

Tenho um jeito frágil
De mulher porcelana.
Sou firme como rocha magmática
E não quebro na cama.

Tenho um jeito inocente
De encostar-me em teu peito
E fingir-me de carente. Nesta hora
Sou sereia.

Tenho um jeito feminino
De passear em teu corpo,
Olhando a vitrine que dos teus olhos
Despontam.
Aí, meu caro, perco o tino.

Tenho um jeito de mulher madura,
Experiente,
Mas que para ti será jovem
Eternamente!

Banho de chuva!



BANHO DE CHUVA

A primavera insiste em meu
Peito morar.
Flores estampadas num vestido,
Sempre-vivas.

No coração uma oração,
bate em descompasso.
Rogo por ti em devoção,
Não sei o que faço
Com a solidão.

Nos olhos vertendo
Em lágrimas a volitar
Imagens de um tempo feliz.

No olfato, o fato,
O cheiro que paira no ar,
A impregnar meu corpo,
Aroma de anis.

Tudo se perdeu em enxurradas
De tempestade de verão.
Fico então sentada na calçada,
Sentindo os pingos da chuva
A lavar minhas emoções.
Esperança renovada em outras
Estações...


Feliz Natal a todos!


sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

BANDIDA












BANDIDA

Regressei de repente, firmei os pés no chão.
E você pergunta e daí, acaso vives no mundo da lua?
Voltei, mas daqui não saí, estou na mesma rua.
Louca não são seqüelas da paixão.

Livrei-me das cicatrizes do passado.
Fiz uma plástica nas saudades,
Vesti-me de sorrisos e vaidades
Só viajo de primeira, nas asas do pecado.

Vivo no submundo dos desejos
Bandida que roubou os seus lábios
Num mundo de longos e árduos beijos

Falta-me oxigênio às vezes e eu tento...Delírio...
E na realidade de outro sonho prevejo
Sua boca a me levar a outros hemisférios!



AFRODISIA




AFRODISIA

À luz do dia um rubi a luzir
Lábios em exposição, dentes marfim
Rosa vermelha a te seduzir
Dança nua em frenesim

Êxtase, olhos de noite sem fim
Âmbar negro em expectação
Íris dilatada, face carmim

Pernas, braços, laços em comunhão
Ocultando outra flor aflita
Ansiosa pelo calor de tua mão

Bandolins, o coração palpita
Compassar dos dedos e desejos
Abaixo da cintura, paraíso se agita

Gritos, frases sem sentido, beijos
Adormece depois do prazer
Ressuscita, inicia-se outro solfejo

Rosa absorvendo o bálsamo
Que brotam de teus poros
Levando teu corpo ao páramo

Flor de teus dias, a atiçar a fantasia
Folia na inspiração, sensações
Tua pele arrepia, é tudo afrodisia!

Vem agora....


VEM AGORA...

Abra as portas de teu coração.
Deixa de frieza...Não às barreiras.
Esqueça a lucidez, perca a razão
Para nós não existem fronteiras.

Instale-se em meu viver
Dá-me teu mel, tua perdição
Será meu homem e eu tua mulher
Para ti viverei com devoção.

Invada minha casa, minha alma
Com euforia, ajeite-se na cama
Ama-me e sinta o gosto, a emoção!

Seja meu amor, meu doce poeta
Serei tua musa, tudo será festa
Vem agora...Dá-me tua mão!

LAÚDANO


LAÚDANO

Desabrochada flor, paixão, lauto
Ajeita rapidamente as melenas
A equilibrar-se nos longos saltos
Roupas amassadas e na mente falenas.

Ergue-se em corola úmida
Visgo incolor e ensaia um riso
Dizia-se balzaquiana pudica
Rendera-se ao inimigo, sem siso

Na batalha entre o sim e o não
A carne traiu-lhe, esquecera o pejo
Láudano em excesso, louco desejo

Vejo-a mais bela a cada estação
Em carmim, oferece-me beijos
Sou um a mais a seguir o cortejo!

MIOSÓTIS






MIOSÓTIS

Algum dia virá...
Estarás a passos mais lentos,
Não tenho pressa, te espero.
Haverás de ter percorrido
Muitas trilhas, os caminhos
De tua agitada vida.

Cansado de amores fugazes,
Luzes artificiais,
Virás buscar o brilho de
Minha alma, o azul de minha
Aura, a paz, a calma.
O carinho desta mulher
Que te adora!

Virás submisso aos desígnios
De teu coração.
Fatigado por tanta dedicação
Sem encontrar uma grande
Paixão.

Virás porque sabe,
Sou eu, o miosótis de teu
Destino!

ABSOLUTA



ABSOLUTA

Flores a exalar aromas, ênfase de meu poema.
Alva manhã, branca pomba.
Luzes e velas, meiga, a mais bela.
Fascínio e alegria deste homem que te ama.

Senhora dos meus sentimentos
Sou de ti e para ti um instrumento
Usa-me, não faço objeção.
A saciar minha louca paixão

Desejo incontido por absorver teu corpo
Arrancar-te as roupas,
Jogá-la em meu leito,
Envolver-me em teus cabelos
E feito meliante roubar-te os beijos.

Preciso de ti como a noite precisa da lua.
Brilho de minha alma,
Que me faz delirar,
Quando estás totalmente nua!

Afloras e flutua em meus pensamentos
Como acordes da mais louca canção.
Sou teu poeta desvairado,
Tolo apaixonado
E tu és dona absoluta do meu coração!

MAL INTENCIONADA




MAL INTENCIONADA

Pensares tantos sem prantos nem lamentos.
Tento evitá-los, impossível dissimular
Atento para o jornal, os acontecimentos
Mas eles de ti não querem afastar.

Estou a sorrir, as notícias são tristes
Não dá para manter-me concentrada
Em cada viagem consumam-se os deslizes
Crêem-me louca, estou é apaixonada

Ilusórias horas em que és meu e sou tua
Na cama aos gemidos, sol e lua
Perdi a rima...Mal intencionada.

De repente sinto um solavanco
A lucidez em confronto
Tarde demais, estou molhada!

Peregrina


PEREGRINA

Lume que impregna n’alma,
Assaz acalma, revigora e
Aflora em redundância.
Absoluta em azul, desponta.

Lucerna em culminância
Com tua tez morena,
Estanca as lufadas, canta,
Ecoa e mantém-se em
Constância.

Sudeste,origem dos matizes
Do luzeiro.
A estrela noturna passeia
buscando
Um poeta altaneiro.

E ele em cismas nem percebe
Que lá em cima uma peregrina
O observa e vela querendo ser
Dele o brilho derradeiro.

ESTRELA


ESTRELA!

Reconheço-me em teu olhar de tantas cores
Altar solene, céu de sinceridade
Onde habita a poesia, a verdade
Somos um do outro, cultuamos amores.

Tu és astro que me ilumina meus passos
Todos os caminhos me levam a ti
Sou mais mulher, sou frenesi
Quando encontro os teus abraços

Teu brilho provoca-me devaneios
Onde sou escrava de teus enleios
E tu és o sol a acalorar-me com beijos

São fantasias, seqüelas sem freios
Ao me ver em teus olhos, deixo o luzeiro
Eu estrela entrego-me ao brilho do desejo!

Fases e encantos


FASES E ENCANTOS

Clara é a lua, atraente senhora noturna
Dama da noite, misteriosa, atuante
Inspiração dos poetas, rima divina
Vem nua e brilha para os amantes

Despida baixa o ventre, gesto sutil
Afoita, rola, desliza docemente
Aos acordes de uma canção pueril
E faz a paixão surgir loucamente

Nos olhos nuance metálica
Impregnada de prata, a tática
Para beijar-te longamente

Sou mulher, tenho fases e encantos
Lua de mel a provocar deslumbramentos
Ao sol que me espera todo radiante!

Anjo






ANJO


Surges assim,
Vestida de festa,
Raio de sol a
Invadir minha calma.

Danças assim,
Toda dourada,
Arranca aplausos
Do pianista eufórico
Por tocar-te a alma.

Sorri assim,
Esta cor de marfim,
Teus dentes a cravar em mim.

Da cama prisioneiro,
Fogo e brasa que
Alastra,
chama de horas e horas,
Até em cinzas acabar.

Causa delírios
E suspiros...

Deitas enfim,
Para despir-se da
Fantasia de um querubim.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Que vês?


QUE VÊS?

Gosto de andar nua, sou devassa
Você me olha, descalça de pudor
Sente tremores, perde-se na graça
Minhas coxas causam-lhe torpor

Tenho síndrome de Eva, a verve
Hás de morder a maçã até caroço
Fruto proibido para nada serve
Vou passar as pernas no teu pescoço

Serpente hipnotizando teus olhinhos
De menino inocente, tão bonzinho
Carente á espera de meus carinhos

Mas por favor, aposenta a timidez
Homem sorria, chegou a tua vez
Abri as portas do mundo, o que vês?

Tango




TANGO



Bate forte coração, segue

O compasso da canção.

Letra que fala de beijo,

Amor e paixão.

Recostada em teu ombro,

Esqueço que estou no salão.



O corpo flutua,

Levitar da alma.

Perfume absinto,

Minto...

Odor masculino!



Teu cheiro e este jeito

De apertar minha cintura...

A orquestra acelera,

Ritmo sincopado,

Perco a compostura

E sou toda tua,

Até o último tango!

Fantasia




FANTASIA



Frente ao mar, horas a fio...

Vai e vem de ondas, aos pés

Brancas espumas.

Em pensares tantos, olhos fixos,

Dissipam-se as lacunas, as dúvidas.

Partem outras naus.



No horizonte, linha reta,

Paradeiro perfeito.

A imagem da musa,

Inspiração do poeta.



Vestida de dourado,

Sorriso nos lábios,

Boca perfeita.

A libar na evolução do

Momento.

Eufórico pensamento.



Visão sem rédeas,

Insana, a tunar,

Volta ao mar



Instiga, bate e reflete.

Absorve, verve.

O sol já se despede.



O poeta viaja na imensidão

Marinha e atraca no porto

Da realidade.



Findou-se o dia,

Lá se foi a epopéia,

A fantasia...

Poeta também ama!




POETA TAMBÉM AMA



Em noites brancas e perfumadas,
Inspiração, lirismo,
És meu senhor!
Luz que inebria, a esta poeta
Alucina.
Sonhadora, divaga nas alturas,
Flutua.

Poesia nascida do fundo
De minha alma enamorada,
Que te cultua.
Versos colhidos dos jardins
Alados,
Botão em flor,
Ode ao meu amor,
Que longe está sem saber
Da minha dor.

Paixão e desejo, solfejo.
Encantamento das horas
Em que imagino teu sorriso
E almejo
Teu abraço, o sabor de teu
Beijo,
Você por inteiro!

Secretária do Futuro







SECRETÁRIA DO FUTURO

Vou desconfigurar meus
Pudores.
Na tela do meu computador
Surgirá uma nova fantasia.

Nua, caminharei pelas
Ruas,
Esquecendo a mulher
Que já fui um dia.
Um chip usado!

Deletarei todos os arquivos
Ocultos e temporários,
Aumentando a potência dos
Desejos enrustidos.

Libertos os anseios, on-line
Há de me chegar um homem
Ousado, trazendo-me uma rosa
E me convidando a dançar um
Bolero.
Neste momento a conexão com
O passado será desligado e o
The end será reservado.

Programa criado para iludir-me,
Sair desta rotina,
Da sala de um escritório onde só
Computam-se dados de uma vida
Vazia.

Louca poesia






LOUCA POESIA




Louca poesia, azul de meus olhos perdidos.

Fibra invisível que conduz ao firmamento.

Estrela, matiz das águas do oceano.

Orvalho que num espasmo livra dos espinhos.



Perfume de lilases a encharcar a alma.

Papoula, violino, rosa noturna, madressilva.

Aroma divino, pétalas, conchas marinhas.

Orquestra das águas, o cantar dos passarinhos.



Teu nome é música, flautear de anjos em festa.

És primavera que impregna em minha vida.

É brisa e excita, bem vinda, minha querida.



Minha única e inesquecível estrela,

Canção eterna, maresia, poesia!

Quem é você?



QUEM É VOCÊ?

Embarcações partem todos os dias
E com elas mastros e velas,
Solitários ao vento, meus pensamentos.
Nas águas revoltas, torvelinhos.
Um mistério submerge,
Quem é você?

Por entre espumas brancas tua face,
Rosa pálida. Expressão de santa ou
De gueixa.
Pedra gelada, marmorizada.
Um anjo, mulher da vida ou donzela?

Para ela não encontro a rima
E sinto-me perdido ante o reflexo de
teus olhos a confundirem-se com os
pelos e cabelos.
Mistura de amor e medo,
A pesar em meu peito, sem decifrar-te
O segredo!

Mulher sim e dai?



MULHER SIM E DAÍ?

Quem sou agora, Marília, algures
Isolda em pintura. Não me procures
O que sou senão esquálida mulher
Sem Dirceu ou Orfeu para consolar
O que sou tu não aceita e deitas
sobre minha sombra que se crê maldita.
Atira-me todo o dardo, sou mira de tua
Inútil filosofia.

Quem sou eu que te provoco amor e
Ódio, ópio do ínfimo desejo, colombina
Em quarta-feira de cinzas. Fel na boca,
Cabelos em serpentina.
Sou messalina, tragicomédia num palco
De luzes naturais, teus olhos cor de mel,
Poemas rabiscados num papel.

Quem sou eu senão Ambrósia vestida
De Frida Khalo e me calo ao bradar
Do tempo que me corrói as entranhas
Por ser tão estranha e inaudível.
Sou seu afã mais oculto e luto munida
De adagas entre o bem e o mal, mas
Estou em cima do muro e só desço se
Confessares a paixão.


Sou e estou além das fantasias.Meu
Corpo, escultura erótica, entalhada,
Criada para acender a chama do prazer,
Sem corrosões, em estado de preservação
No museu do teu pensamento arcaico.
Ou crês que a mulher é tão somente uma
Estátua, um troféu que cultuas num sótão,
Das tuas conquistas?

Sétimo céu



SÉTIMO CÉU

Pobre de ti com essa síndrome de Morfeu
Perdeste a tarde febril, viva glória
Púrpura paisagem com o vento ateu
Aos delíquios, sostenidos de vitória

Estórias do mar em calmaria a refletir
A divina noiva estampada no olhar
E pecar...Ai de ti que estás a dormir!
A sonhar com alguém para lhe amar

Despertai, vinde iluminado aos meus braços
Sou beleza, a estrela que andas a procurar
Vinde em corpo e alma, em brasa, nú, descalço
Estrela matutina, feminina, a te esperar

O dia vai nascer, esperança a brilhar
Rei sol irá surgir, romper o sétimo céu
E eu tua Vênus terei mil beijos para te dar.
E nas alturas então, a lua será de mel!


O teu olhar



O TEU OLHAR
A luz nos seus olhos não me faz ilesa
Ninguém supõe o fogo em minh’alma.
viver contigo, faz-me nobre, princesa
Teu calor me atiça, paraíso é nossa cama.

A inutilidade, parcas palavras,
Inutilidade das coisas rotineiras
Silêncio às pedras e a entoar mantras.
Minhas mãos passeiam, apalpadeiras

Em tua boca deixo meu silente desejo,
O dom, a essência feminina, meu ser
A carne arde em meu corpo esguio, teu beijo
Tu tens o mel e o sal que me faz viver

Subtileza de um olhar que fulmina, incêndio
Que me leva a mais e mais me perder!
Querer-te é romper a linha do hemisfério
Extravasar os sentidos e no amor renascer!