sábado, 28 de novembro de 2009

Juras




Por um olhar






POR UM OLHAR

Por um olhar
Daqueles que dá calafrios
Levarei-te para a cama
E em arrepios te pedirei
Para me amar.

Ali, jogado sobre o leito
A explorar meu corpo,
A sentir meu cheiro
explodiria o coito.

Licores e gozos,
Sabores e odores
De tua boca.
O abrir e fechar das
Pálpebras, eu muito louca...
Exercitando as pernas,
Bamboleando a cintura,
O quarto gira...

Toca o celular, soa
A campainha,
A vizinha...
A chaleira apita na cozinha,
Nossa!
Deixe-me sonhar!

Lua




LUA

Luz serena, de brandura a apaziguar
Nos amantes as carências e saudades.
Segredo da natureza a amenizar
Solitários corações e suas verdades.

Eis vestida de prata a avançar.
Atravessa minha janela, vivaz
E vem em minha cama pernoitar.
Encontro mágico, nada é fugaz.


Rompe o dia, eu não o queria!...
A realidade não é boa companhia.
Olho o céu...lá está a pairar...

Minha sombra já não obedece,
Está apaixonada, não esquece
E só a ti lua quer amar!

Volúpias




VOLÚPIAS

Em teus beijos e carinhos quero me perder.
Estive por tanto tempo solitária, carente,
Que talvez tenha que contigo aprender
Como agir, fazer amor novamente.

Meu corpo estremece, a alma arrepia,
Imaginando o toque de tuas mãos,
O calor de teus braços, tuas carícias...
Em volúpias tantas. Que tentação!

Não tenha receios, entregar-te-ei minha rosa,
A meiga flor, dentre todas a mais airosa,
Como símbolo desta louca paixão.

Por toda a vida esperei este momento
E darei vazão aos meus sentimentos
gritará mais forte, por nós, a voz do coração!

Feitiço de verão




FEITIÇO DE VERÃO

Se me fitas longamente
Fitas de cetim desatam
Pombas saltam docemente
De meu peito e te tocam

É verão, algo me seduz
Se me fitas longamente
Imagino nossos corpos nus
E abraçados simplesmente

E fazes fita, carícias
Tuas mãos tão interessantes
Deslizando em primícias
Violando-me, somos amantes

E sem amuletos de sorte
Figas, patuás que dê jeito
O feitiço é mais forte...
É verão, eu me deleito!

No violão uma toada



No violão uma toada

O sol levanta e despe as flores
Belas e muito insinuantes
Vibram as pétalas de todas as cores
Assim é o meu vestido provocante!

O arrebol se anuncia pelas fendas
Das janelas dos meus olhos morenos
Os teus...Fixos na calcinha de renda
Entre coxas, rosa coberta de sereno!

Pasmado ante a visão inusitada
Tu ponteias acordes no violão
Meu corpo agradece a toada.

Atordoada, pernas desafinadas.
Já não ouço, nem sei da canção.
Estou surda de excitação, suada...

SUB(missão)




SUB(MISSÃO)

Vou consumir-te até o
O suor explodir em teus
Poros.
Desalinhar teus cabelos,
Emaranhar-me em teus
Pelos.
E pelo que sei gostas de
Ser possuído.
Desabotoarei cada um dos
Botões desta camisa social.
Até que implores para que eu
Desça um pouco mais
E arranque cada perna das suas
Calças.
Passo a passo até chegar as
Meias e sem meias ações,
Deixá-lo em nu artístico e
Pintar tua expressão com meu
Batom no espelho esfumaçado
Pelo teu hálito quente.
Submisso, ansioso pelo ato
Final, amarrado à cama,
Sentirás o peso do meu corpo,
Matando teus desejos.
Minha língua sufocando as
Palavras...
O poema não tem rimas, agora
Tu estás por cima.
È a minha vez de mudar de
Posição num jogo de entra e
Saí e lá vai...

Orquídea negra



Orquídea Negra

Deusa dos jardins alados.
Mistério regado
de orvalho.
Plúmbeo matiz
oriundo,
obcecando os
Olhos do pecado.

Negro olhar
Fulminando o dia
Fechando a cortina
Da pureza
E na incerteza
Dos ateus violando
O sagrado.

Profana! Asas abertas,
Vôos lúdicos
Aprisiona a mente.
Tu és flor?
Imagem e mulher,
Vampira na miragem.
Medeixes!

Alucina-me com
Esses enfeites,
Cacho de flores,
Razão das minhas
Dores.
Poderia ser nívea,
Apaziguando minh’alma
Esfriando este torpor,
Gerando lucidez e calma.

Podias ser Isaura,
Refletir bondade em minha
Aura.
Quis o destino provocar-me
Tal desatino.
Desejar o inferno,
As chamas ardentes
De teu corpo feminino,
Vestido de orquídeas negras!

Proibido








PROIBIDO

Em teu rosto encontro definição
Traços que incitam minha libido
Querido em tua boca está a razão
O pecado de viver um amor proibido

No contorno de teus lábios, viagem
Estrada da perdição e longos beijos
Umidade de línguas em voragem
Olhos acesos, já perderam o pejo

As faces sorriem espontaneamente
As covinhas de teu queixo convidam
A mergulhar num sonho envolvente
Mormente desejo, almas que levitam

Olhos cor das tempestades de meu peito
Escuridão propicia, tema para amantes
Num quarto onde só se enxerga o leito
E o branco dos lençóis alvejantes.

Nas narinas levas o meu doce perfume
Que te traí quando estás só e distante
Ofegante imagina ser um vaga-lume
A amar-me, açucena inebriante.

Escuta sempre os sussurros da flor
A mordiscar tuas orelhas sem pudor
Em confissões que causam rubor
Pecado mesmo é não viver este amor!

Enquanto existir amor...













ENQUANTO EXISTIR AMOR

Eis que me abandonas oh sorte!
Falcatruas e penhores, dores
Nos sábios jogos da nefasta morte
Com risote, aspecto vil, magrote


Talvez a couraça o pesar suporte
Vês? A cruz que carrego são flores
Dos espinhos, cicatrizes e cortes
Que aportes! Inda resta-me amores!

Que sejam falsos, tu te importas?
Reluzem como ouro e são de lata
Este peito traz o aço e não entortas.

Sincera também não o é, te delatas!
Dilatado anseio, explode tua aorta
Quando a bela entra por aquela porta!

Por amor eu sigo...





POR AMOR...EU SIGO!

Pois se do amor fiz meu caminho
A dor, deixo-a, a mercê dos abutres
Que as devore, livre estou de definho
Porém silêncio, eles são tão vis, futres

Calvário é reservado aos desiludidos
Desavisados, a solidão negra existe
Insiste, coração a enfartar num descuido
Fartas lágrimas, por que ser tão triste?

Solitária estrada de quem não ama
Sem chamas da paixão, sem cama
Coração amargurado, infelicidade proclama

Portanto direi que um querer inflama
Tua insensatez, esta megera se doma
À luta, busca outro amor, saí da redoma!

BESAME MUCHO




BESAME MUCHO

Beija-me, neste beijo
Quero selar o envelope
Da carta que escrevi
Por tanto tempo.
A história da minha vida.

Beija-me como a nenhuma
Outra,
Que fico louca.
Tatuado em teus lábios
Ficará a marca do pecado.

Beija-me como se eu fosse
A
Primeira,
E sintas que serei a
A
Última.

Beija-me para sentir
O que há de mais puro
Em mim.

Depois diga se em outra
Boca
Já sentiu tanto amor assim.

Beija-me com ternura
Com loucura
E verás que sempre
Fui tua.

Besame...docemente,
Inevitalvelmente
Caliente!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Fascinação




FASCINAÇÃO

Teu rosto tem tantas formas diferentes.
Ás vezes és sol, colibri, mar, flor...
Em tudo que vejo está presente.
Sem explicação, tu és meu amor.

Não te conheço, nunca o vi.
Há sentimento, sinto tua presença.
Há saudades e sei estás aqui.
E o reconheço, esperança.

Tenho tantas lembranças...De ti.
Incrédula ao sentir ao gosto do beijo
Teus abraços a culminarem em desejo.
Devaneios, algo assim jamais senti.

Tão grande é a paixão, a alucinação
Que ao olhar-me no espelho
Não é a mim que vejo,
É a ti, fascinação!

Borboleta afoita





BORBOLETA AFOITA

Alguém me espera...Minha alma a flamar.
Posto que do sol o calor absorveu,
Atmosfera favorável ao clímax, o apogeu.
Radiante, vou para o abraçar, beijar.

Atravesso os canteiros dos jasmineiros.
Sou borboleta afoita, vôo entorpecida,
Ao perfume não resisto, deixa-me doida.
Extasiada, este olor...Teu cheiro!

Púrpuras horas regadas de amor,
Cio da flor,
O jasmim submete-se ao calor
Deste corpo aceso,
Inflamado de desejo,
Assaz, fagueiro.

Realizada crio outras asas.
Aromas bailando pelo ar
Atrevo-me até cantarolar,
Certeza absoluta,
Amanhã irás voltar!

Brisa

BRISA!

Adormecida em teus braços,
Além, muito além dos percalços,
sou cetim, um laço.
Deposito em teu corpo todo meu
Cansaço, o lasso.

A empatia ficou em casa.
Desvanecida sina, lívida, ora
Afortunada.
Sou impávida, nasci ávida,
Sem álibi, de cara lavada.
Sou a brisa a invadir tua vida!

Eu e a brisa

Eu e a brisa




EU E A BRISA

Ontem á noite a brisa da
Malícia fez-me visita.
Despreparada com minhas
Roupas íntimas, senti o rosto
Em chamas.

Perplexa ante o fato não tive
Palavras e apenas esperei o
Contato.

Ontem à noite despi-me da
Vergonha e descobri que a
Brisa costuma entrar sem pedir
Licença.

Hoje à noite vou escancarar as
Portas,
Esperando que a brisa atrevida
Volte a invadir minha vida.

Amor e flor




AMOR E FLOR

Calêndulas em matizes...
Na varanda da minha paz
Canto, meus dias são felizes
Encantamento de amor, assaz.

As crisálidas ganham asas
Nos meus pensares amorosos.
Entre beijos tu me afagas
Em Lágrimas, gestos ditosos!

Maravilhas, flores do amor
Colorindo minha face
A paixão traz-me o rubor
O viço, terno enlace!

Aves fazem festa em meu olhar
Das penas já me olvidei
Amo como jamais pensei amar
Tu és tudo o que sonhei!

VENERAÇÃO



VENERAÇÃO


Apelos que arrepiam todos os pelos.
Pelo que sei, te amo até em sonhos.
Carrego uma mecha de teus cabelos
Amuleto dos momentos enfadonhos

Cultuo-te no altar dos desejos.
Chama acesa vem do meu olhar
Louca por sentir teus beijos
Peço aos anjos para te guardar

Guardar somente para meus carinhos
Trazê-lo ao meu corpo, o caminho
De o instintivo prazer carnal

Tu és um homem especial, utopia
Sutileza de um poema, a alegria
Fantasia de mulher em alto astral!

Por amor



POR AMOR

Amar sem limites, adentrar ao paraíso
Onde campos de lírios em mansidão
Dão-me boas vindas, paz no coração
Tu tens tudo o que quero e preciso.


Divina glória eleva-me aos céus, amor
“Não serão os deuses astronautas”
Concedendo-me o vôo eterno em flor,
Pois se por amor a lira deixa a trauta?

E na falta de razões para um sentir
Que não se explica, deixo-me diluir
Palavras a “delivery” sem me iludir

Amanhã é dia de arco-íris luzir
Meus olhos em esperança no porvir
Amor por ti, arauto tempo a seguir.....

Aquarela



AQUARELA

E a manhã cantava docemente,
Frutas espalhadas pelo chão
Alvoroço de pássaros, incessantes
Num quadro tu eras um aldeão

Esgueirava-se à noite em primícias
Prímulas e rosas, com as saias ao vento
Num contento de faces pós-carícias

Borboletas saiam da paisagem sutil
Pousando levemente em meus olhos
O amor chegou assim, ninguém viu

Tu e eu sabemos do sentir febril
Dos aromas, da aquarela, da paixão sem refolhos
Pincelada exata, tuas mãos em meu quadril!

Eu e a lua


EU E A LUA

Tu és branca, anjo noturno
e me visitas sem ser anunciada.
Atreve-se à madrugada a projetá-la
em meu corpo.
Sou poeta linda donzela, não resisto
a um toque feminino.
Inspira-me um simples carinho e num
cismar vôo feito passarinho.
Volto a ser menino, brinco com minha.
sombra. Abraço-te e dou um beijinho.
Tu me lanças um sorriso nupcial, deixa-me
assim tão mal...Já não sei se é visão
Ou mulher real!

Lua vermelha




LUA VERMELHA

Tu virás em virilidade e a boca macia.
Sem preconceitos a despir-me dos defeitos
Sou branca e fria, apenas a tua Maria.
Fico bela quando contigo me deleito.

Apareço com minhas vestes magistrais
Com meus olhos feiticeiros e mais,
Nos poetas provoco versos passionais
E nos amantes coisas transcendentais

Queres esperar por um eclipse programado?
Liberte-se deste velho calendário
O agora urge, é tempo de ser amado.

Amar não é sentimento programado
Acontece sem explicação, sem horário.
Tu virás doido, hipnotizado!

II
Tu virás quando a aurora nascer
E o orvalho as flores acariciar.
Nesta hora, amantes exaustos de prazer.
Pensam no despertar, em recomeçar...

Sol a invadir meu corpo, sem prólogos.
Vestindo-me de dourado e me aquecer.
Meu servo encantado és o fogo.
Fiel aos meus delírios, fonte de prazer.

Rompe as barreiras do pudor
Meus olhos nus fazem a leitura dos teus
Chamas de desejo, meu grande amor.

Homem e mulher á beira da lareira
A paixão incendeia, lenha para queimar.
Frio é o copo de vinho á cabeceira.

III
E tu virás na eternidade deste dia
Em avidez, insanidade que principia
Quando cantam os pássaros de vigia
Espreitando-nos em íntimas carícias.

Vingam as rosas fogosas e macias
Veludo rubro onde dorme a fantasia
Que és meu escravo, luz do meu dia.

Minha face e fases tu entendes
Sabes satisfazer meus anseios
Agarra minha cintura e tremes

Preso neste círculo de devaneios
O infinito cúmplice precede...
Eclipse total dentro de quatro paredes!

Tu és o sol!




TU ÉS O SOL!

Afável melodia que irradia inocência
Angelicais criaturas és tu Fausto? Ouves-me?
Asas de plumas doiradas, coerência
Teu corpo delineado, tu és sol a cobrir-me!

Cálida presença e gritos ecoam, sou Aurora,
_Vens e faça-me senhora de teus anseios!
Tu és o clarão do dia! Poeta dá-me vida agora!
Se anoitecer vem o desvanecer e tu ficas alheio!

Olhai as rosas que brotam sem primavera
Olorosas e rubras, é por ti que vicejam
Oh sol tu és a razão das minhas quimeras!

Encanto, magia e sedução, sempre á espera
De transmutar-me, ser a mulher que veneras
Iluminada pelo teu olhar de louca esfera!

Lua de amores




LUA DE AMORES!

Porque da flor quereis apenas aroma?
Em viuvez de noite alta notai a lua
Branca pérola, adágio e poma
Entendei que te amo, sou tua!

Posso te dar mais que perfume,
Há um lume que vem de minh’alma
E reluz nas águas doces de um flume
Que em imensidão abraça-me com calma

Navegai pelo meu corpo, velas içadas
Azul céu, azul rio, nubente ansiosa
Entregar-me-ei, sou eterna namorada

Caso-me todos os dias, sou amorosa
Amante de ti oh bardo que me dá vida
Ávida que renasce mais e mais carinhosa!

Nua



NUA!

Vai barcarola!Ouça-me minha amante!
Leva-me junto dela, musa das algas.
Cujo corpo cravejado de corais está distante.
Quero sentir o âmbar, beber amor numa malga

De o éter sorver a embriagues, ah delírios.
Possuí-la é abraçar o mar com seus mistérios
Beijá-la quem dera, oh bela! Triste martírio!
Tão só na trilha dos golfinhos, resta-me frio.

Vai barcarola ao encontro da docilidade
Embate das águas, ela com suas anáguas.
molhada de suor, no auge da mocidade

Sigo com meu estio nesta busca que recua
Retrógrado em versos, poemas da idade
Numa cantiga dolente por querê-la nua!

Branco








BRANCO!

Apraz-me com olhos d ‘alma olhar-te.
Destarte vejo-te em essência, meu lírio.
Branco, tu és poema lírico, estou a amar-te.
E canto á beleza, querer-te é um desafio.

Tez de veludo, em pompa desfilas.
Sabes que te observo á distância
Finjo-me bailarina, dilatada pupila.
Na boca a chila, á garganta monofonia.

Branco como podes ser tão frio
A neve cai e tu te vais com o sol
Mas não demores fico aos arrepios

Lá se vai mais um dia, o arrebol.
E tu virás na palidez da noite em assobios
A luzir estarei como noiva do céu, algol!

Sonhos de uma Vênus


Sonhos de uma Vênus!

Júpiter, tu apareces assim ruborizado.
Chegas com os vendavais e vais
Á procura da lua, hirto, eriçado
Não sabes que tu e o sol sois rivais?

Pensai nesta Vênus que devoção te dedica
Crio gizas infinitas para te conquistar
Visto-me de purpurina e pelica
Dossel sou a estrela, a sorte a te esperar.

Se soubesses o ardor em meu peito
Dor e ansiedade mescladas, sem pejo
Fogo que dilacera imaginar teu beijo

Sonho que repousas nu em meu leito
Teu corpo sobre o meu é o que prevejo
Mas tudo não passa de um louco desejo!

Fases





FASES

Sexy e original, nua, porém de meias.
Sei... sou burguesa.
Por vezes tomo banho de óculos,
Míope e atrapalhada,
Mas ninguém discute minha
Nobreza.
Planto minhas sementes de
Barbotina, o cheiro me
Alucina.
Ando a pé com carro na
Garagem. Engendro-me ecológica,
Na verdade estou mais para
Magapatalógica.
Lógica? O que é isto?
Sei sou esquisita, uso
Blusa apertada com medo
Que os seios se libertem,
(imagino o quanto é horrível
Viverem presos no sutiã)
Vou ás compras e pechincho,
Mas é só um vicio, se bem que
Um desconto faz bem á minha bolsa.
Leio o jornal e para ser exata, gosto
Da coluna funerária, fico ali
Prestando atenção na idade dos
Falecidos, sei não acho que temo
A morte. Só não dou bandeira.
Tu dizes que sou supérflua quando
Pinto a cara e exagero no batom.
Saiba que além de feminina tenho
Lá a graça de Monalisa, sorriso
Misterioso que torna tudo jocoso.
Pelo menos ontem á noite os vizinhos
Ouviram os teus gritos de prazer...
E tu ficas aí parado, com esta
Cara de minguado!
Mulher tem fases e de t.p.m. não
Tem conversa que dê jeito.
A propósito que dia é hoje?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Dublê de corpo




DUBLÊ DE CORPO

Vi-me jogada entre lençóis de seda
como se o mundo tivesse parado
Faltou-me fôlego ao ver aquela cena
Obscena vaidade após o ato consumado.

Desvarios, impudicos pensamentos
Invadida pelo éter daquele hálito
Embebedei-me de contentamento
Acreditei que tudo era força de hábito

Prática fremente e diária de jogos
Ser o que vejo, estar nua em pelo
dublê de corpo cultuando o fogo.

Filme impróprio, arrepiava os cabelos
The end em repetição apesar dos rogos
Mulher por horas a fio, 220 volts sem apelos!

CHOSES DE L'AMOUR




CHOSES DE L'AMOUR

Falas por idiomas desconhecidos
Embora saibas o que explanas,
e plaina a águia, vôo premeditado.
A presa exposta, sinto-me indefesa.
Decifrar teu segredo dá-me medo.
Enigmas abundam na cartola,
o mágico poder de encantar,
de apoderar-se da alma.
Rodin aponta os portões do
paraíso.
Entregar-me ou partir sem saber
os efeitos que causariam em minha
mente, em meu corpo uma noite
de prazer?
E falas coisas que não entendo mas
quero ouvir.
De saber-me casta já me esqueci....

Sentimentos





Sentimentos

Sensações indizíveis, embevecimento
num mar de sais afrodisíacos
Violinos penetram em movimento
Ondas em vai e vem, vento baco...

Fortes emoções, abalo sísmico no reino.
As mãos rompem à linha imaginária,
Navegam nos pontos cruciais, erógenos.
Nau sem curso na geografia e alexia.

Mente trespassada. Olhos luzidios, pele úmida
Ele fala-me de amor em meio á multidão
Sentimentos afloram, faz parte da vida.

No out door vejo a cena, uma colisão
Corpos chocam-se na esfera da íris ativa
Viva! O mundo parou, explode a paixão!

Apenas um café!




Apenas um café!

Digitais anseio-as na minha pele
Nas linhas das mãos busco equilíbrio
Nos montes deslizo minha verve
Unhas esmaltadas com o jornal diário

E tu olhas o tráfego, a televisão
Milhões de programas se alocam
Na mente, neurônios em convulsão
_Um café! Gritamos juntos e nos olham

Abro então meu Charles Baudelaire
Metáforas escapam por entre os dedos
Emoções nascidas nos cabelos com laquê

E porque, pergunto eu?_ Demoraste tanto!
Aflita esperava o toque das tuas mãos
Nas meias de seda que traduz o encanto!

Conversa íntima




Conversa íntima!

Depende de nós assimilarmos
Os sinais.
O que acusa um simples olhar.
As sombras podem parecer
Solitárias.
Um mero ato faz-nas juntar-se
E compor uma silhueta,
Um par.
E deixas-me assim alterada,
Como cobaia a mercê da
Experiência...
Tuas mãos em meu rosto,
Buscando a ternura dos anos
Que nos deixou a esperar.
Meu corpo no teu corpo,
Energia...
Melhor agora, o fornecimento
Elétrico acaba de ser interrompido...
Na escuridão, asas á libido.
O amor está no ar e a transmissão
Desse capítulo não terá repercussão,
Será íntimo!

É por ti que canto!



                                                                                     


É por ti que canto!

Toma-me em teus braços,
meu corpo implora.
Há vida, há sangue em
desabalada correria nas veias.
Ele não para ante ao semáforo
vermelho, perigo é a falta de
afagos, de carinhos e beijos.

Toma-me como se fora a última
vez, porque a primeira não
Foi o bastante, o desejo é
Agora um vício, como o cigarro
que fumo e deixa as marcas
no pulmão.

Toma-me antes que a guerra
separe-nos. As idiotices rotineiras,
tantas besteiras que fazem o
Amor em cinzas se acabar. Quero
Apenas o prazer de ter sempre
ao meu lado. Meu amado!

Toma-me, pois o mundo pode
amanhã se acabar. Os homens de poder
destroem-no e nos jornais a morte
prematura dos nossos ideais
Faz-se anunciar.

Toma-me como ontem, como um
bravo herói de histórias infantis,
porque os de época são muitos.
Povo humilde que só faz lutar.
e eu não vou esperar a morte chegar com
O sorriso irônico e de ti me apartar!

Toma-me é por ti que agora canto,
que apodreçam as filosofias, os mitos
e preconceitos sociais.
Vamos viver o que nos resta em nosso
canto que é o encanto de saber-se
homem e mulher para o que der e vier!

Sorte














SORTE!
Meu astrólogo demitiu-se,
Previsões de futuro não mais.
Quem se importa?
O hoje me apetece, há
Certo rumor de vozes
Interiores e elas dizem que a
Felicidade existe.
Inda que seja numa suposta
Caixinha mágica.
Inteirar-me da real não quero,
Prefiro as luzes das bijuterias
Baratas que trago como adornos,
Pois falsos são os passos que
Afastam-me de ti!

Enquanto dormes




Enquanto dormes

Dormes sereno e meus olhos escuros
fazem sombra sobre tua nudez
Cai uma maçã madura, amor tão puro
Embora não sintas a minha avidez.

As mãos ensaiam gestos de ternura
Teu corpo nu, desejo e poesia
Embevecimento, tu és uma pintura
Uma tela real , homem que inebria.

Teu sono causa-me mais anseios
Queria ver os teus sonhos mais íntimos
Estar contigo no extremo do delírio, enleios.
Exaltação é saber-te parte de meu imo.

E primo pelo zelo de aquietar-me por horas
Tua presença em meu leito... Sentires invade
O quarto e sem resistência aos pudores,
Perco a rima,
A roupa,
Louca,
Atiro-me na cama e a virtude jogo na lama,
Posto que nada mais importe a não ser
Despertar o amor que ora me inflama!

Céu da boca



                                                                                     





Céu da boca!

O céu entalhado, cor de rosa, pendores
Lirismo permanente nos sentidos
Dissipá-lo não poderia, são esplendores
Flores e cores em êxtase, empertigo

Passam as nuvens no branco dos olhos teus
Como pombas mensageiras no cair da tarde
Minhas faces rosadas...o dia  nos dá um adeus
Porque  a noite  é dos amantes, tu e eu em alarde.

Contemplação entre bardo e musa, santa poesia
Estrelas em parceria com anjos entoam melodias
Num matiz que causa á lua explícito rubor inopinado.

Os versos meus dão a garantia, amor iluminado
Tu és a paixão, o vértice e me investe de euforia
No céu de tua boca deixo os afãs, o sabor, as fantasias!

Que me venha o teu mar




QUE VENHA O MAR!

E porque não desejar os encantos do mar?
Nauta em embarcação que há muito ancorou
Partir sem definir o curso, não quero ciência.
Não vou me ater em monólogos,
Que me venha o teu mar,
O amar em imensidão sem folclores
sem outras indecisas previsões de tempo.
Vou navegar em teu corpo salgado,
Sobre tua carne que me sacia e
Danem-se aqueles que vivem á deriva,
Á margem,
Ás sombras.

Nos caracóis dos meus cabelos





Nos caracóis dos meus cabelos!

Vem deslizando em doçura,
Percorrendo meus cabelos,
Não ouve sequer meus apelos
Descendo... Chegando a cintura
Meus olhos delatam a ternura
Abraça-me, senta-me em teu colo
Em teu corpo molhado me enrolo
Arabesco em frondoso arvoredo
Onde deixo todos os segredos
Sortilégio, teus olhos desvendam
Desejos entre nós esperneiam
E pecamos sem receios ou medos.

Pecador arfante, levanta-se o sol
A sós com a emoção, ócio e paixão
Entrelaçam-se nossas mãos
Perdidas no amarrotado dos lençóis
Da vidraça flores, girassóis
Espiam-nos e ao vento se agitam
No afã nossas bocas se devoram
Reincidem em beijos violentos
Noite curta pequeno é o aposento.
Nos meus cabelos outros caracóis!

Mel e sedução




MEL E SEDUÇÃO!

Tu és em meu viver toda a ternura.
Hibisco nascido no vale da esperança
Cuja seiva cai como o mel e eu
Sou a abelha, dona de teu corpo.
Vivo em delírios a sorver a doçura
Que tu tens para me dar.
Devaneio com asas livres para voar,
Só quero me entregar.
Quero a ti, homem de olhar flamejante,
Encantado, á espera do pouso, repouso
Na alcova, onde percorre minhas
Entranhas e assim me ganhas no
Diário dialeto de o verbo amar!

MAR(esia)




MAR(ESIA)

Que girem estrelas, mares e terra
Importa se chove ou faz-se sol?
Eqüidistante meu corpo faz guerra
Sou o peixe que está no teu anzol

Trazes-me o sabor salgado da vitória
Nua em pelo impregnada de maresia
Sou a pérola de teus olhos, a alegria
Marinheiro do mar das minhas fantasias.


Sede que corrompe preconceitos
Sem saber se é certo ou errado,
Mas que se eleva, dá-se ao direito

De estar em uma alcova de corais eitos
Procurando ar rarefeito e ouvir num caracol
O imitar, o gemido de um par perfeito!

Princesa





PRINCESA

A olvidar desenganos,
Uma surpresa
Encheu a sala de
Claridade.

Em nua paisagem,
Nuances lilás,
Flor da juventude,
Esplendida miragem.

Entardecer rosado que
Escapou do outono,
Dispersou esperanças
E pintou minha alma
Opressa.


Levou o pranto para
Um mar de ouro e prata.
Chama acesa, a princesa!

Soltou as amarras
E deitou-se em minha
Cama.

Eis me agora um
Pirata
A buscar diariamente
Um único tesouro,
O corpo dela.

As fadas



                                                                                     




AS FADAS


Bosque das fantasias inolvidáveis
Brilham lua e estrelas, olhos noturnos
Poemas nascem nos rios inavegáveis
Águas encantadas entre alburnos.

Pululam seixinhos madrepérolas
Cintila a paisagem, quadro feminino
São fadas da imaginação em cantarolas
Devaneios de um poeta montesino.

Rimas em perfeito consenso e harmonia
Originadas de sonhos azuis e alquimia
Alegorias que vem e vão à divagação.

E alumiado e enlevado ante as cismas
Subtileza de criador de loucos prismas
Vê-se rodeado de encanto e ilusão!

O vinho



       






O VINHO


Da uva quero o sabor do vinho embriagador.
Taça negra de aroma campestre.
A visão investe no caminhar dos
Transeuntes hipnotizados pelas vitrines
Enfeitadas.
Sonhos de consumo.
Passam encantados e meu olhar já
Confuso, não obstante, leva-me a outras
Direções.
Fuga do inconsciente desejo de tê-la
Presente.
Divagando em poesias, vou criando
Formas exatas, imaginando quão perfeito
É o teu corpo.
Absorto e em total desalinho (já desfiz
O nó da gravata), vou do norte ao sul,
Feito bússola avariada.
Vã tentativa de encontrá-la.
Deste afã não vou privar-me, pois o
Vinho é a bebida predileta e ela é
Aquela que inspira os versos ao poeta.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Naturalmente mulher!



                                                                                     


NATURALMENTE MULHER!

Quis falar do desapego,
Da falta de sensatez.
Fui pega por braços
Mais fortes que o meu
Querer.
Não ceder seria perder
O prazer de ter-te,
Sem enfeites, pois
A vida é real.
Sexo é normal!

Titubear numa hora assim,
Em que  crivo meu cigarro
No cinzeiro, apago a raiva
E na fumaça vejo suspender
Um desejo em círculos
Tortuosos.
Meus olhos em reviravolta
E as pernas já tortas não
Sabem para onde correr.

E quer saber? São fetiches,
Pega esconde,
bola na  boca do gol...Pega!
O sol em respeito apaga-se.
Vem a noite vestida
de azeviche e esconde a minha
nudez.
E sem mais nem talvez,
Sou mulher porque assim
A natureza me fez.

Neo- romântica



                                                                                     


NEO-ROMÃNTICA
Rasgarei o vestido negro do pudor
Asas ás loucuras enrustidas e cor
Nos olhos estrelas e avidez, furor
Que se abram os madrigais, o amor

Entranhas sequiosas por veicular
Emoções e prazeres alterando as veias
E nas teias da paixão um propagar
Corpos em chamas livram-se das peias

Meneias as madeixas com suavidade
Roças, bulindo todos meus sentidos
Eu sentindo arrepios púbicos, maldade!

Entregue e gloriosa, dispo-me da idade
Neo - romântica é a fase, somos pervertidos
Tempos idos (seca), agora sexo e liberdade!

A eternidade da flor





A eternidade da flor

Vou florescer na aurora vindoura.
Hei de desabrochar voraz, inebriante
Serei para ti, embriagues, oura
Conquistar-te-ei, serás meu amante!

Minhas pétalas rubras, aveludadas
Pele viçosa, pois o amor assim me faz
Rosa vermelha, tua louca apaixonada
Flor sem estação, doce canção, audaz.

Poesia flauteada anunciando a comunhão
Nossos corpos em êxtase, paraíso, vergel
Seremos anjos buscando o altar, o céu.

No papel, versos desprendidos e sem razão
Amor não tem explicação, sentimento fiel
Serei tua dama e tu meu eterno Menestrel!