sábado, 31 de outubro de 2009

Lua e sol



LUA E SOL


Quando brilhas no céu
Estreitas meu corpo que te chama
Em chamas retiro o fino véu
Para ser tua mulher, tua dama.

Apaixona-me o entardecer
Meus olhos mantém os teus reflexos
Mistérios me fazem te querer
E morrer em teus amplexos

Branca de virtude e fantasias
Sem saber onde acaba ou principia
Esquento a madrugada fria
Pois teu calor ainda se pronuncia

Ah, ânsia louca, teus beijos!
Ruborizada ante ao desejo
Que num instante de glória
Provoca um eclipse na história

Alhures os amantes se inspiram
Finalmente a paixão baila no ar
No céu estou de tanto amar
E as estrelas solitárias suspiram!

Bruxedos




BRUXEDOS

Ás vezes sou menina, meiguice
Noutras sou mulher, livre, solta
Não importa se sou catapulta
Minhas guerras são embutisses.
Se visses meu tiro certeiro...

Meus beijos em fogos de artifícios
Minhas pernas em bamboleio
Meu corpo em chamas
Ritual pagão de bruxa, malefícios


Feitiços no meu caldeirão, entornam
Estás pronto para ser digerido
Sorvido, meu prato favorito

Sei, tu sorris agora, emoções te tomam
Queres se atirar ao fogo, ao delírio
Desta poesia livre de subterfúgios!



É o amor...






É O AMOR...
As minhas mãos estão perdidas
No universo do corpo exposto
Tua carne, tua pele, invadida
Minha boca quer provar do mosto.

Encosto meus lábios ansiosos
No calor emanado da língua tua
Doce sabor de amar, tudo é gozo.
Levitamos, tocamos o céu, a lua...

Devaneios ganham asas angelicais
São meus pensares, desejos ocultos
E vôo nesta ilusão, dias outonais

Meus olhos nos teus, impossível jamais
E tua voz se pronuncia, não és vulto
És verdade absoluta, amor entre mortais!

Lilás





LILÁS

Existe brilho que defino: fugaz
Há um matiz que não esqueço: lilás
O céu em sintonia, são os menestréis
Exércitos de anjos deixam os quartéis

Desabalada carreira, tonéis
Borrifando a aurora, a paz
Colorindo a vida, os vergéis
Alegria, dobram sinos nas catedrais

O amor apresentou-se assim
Violeta, passarinhos e cristais
Caixa mágica de um Serafim

Que por mim orquestra madrigais
Poesias e paixão sem fim
Elevando-me a mais feliz dos mortais!

Vento



VENTO


Vento amigo,
Em rodamoinhos
Revolvendo folhas,
Da bela a levantar-lhe
A saia. Atrevido!

Venha mais ligeiro
E dela solta-lhe
Os cabelos.

Mais quente, rápido,
Um torpor.
Lisonjeiro, da blusa
Faz saltar-lhe os seios.

Ciclone, arranca-me
O desejo.
O pecado de querer
Que tu deixe
A maçã exposta.

Neste caso, não me
Faço de rogado,
Submeto-me a
Tentação.
Assumo sem vacilar
O papel de Adão.

Cor de rosa


COR DE ROSA

Bendita seja nesta noite clara
Aos teus pés deixo rosas frescas
Viçosas, tão iguais a tua aura
Cor de rosa como és meiga!

Para conhecer-te atravessei o mar
Pacífico caminho de algas e corais
Imaginado ser tu a sereia a me guiar
E agora o que vejo são dois faróis.

Teus olhos de límpida pureza
Penetram-me com desconfiança
Sou eu teu príncipe, a realeza

Tu pediste ao Criador desde criança
Que te chegasse um homem sincero
Sou eu o amor, a tua esperança!


Meu corpo á espreita do teu







Fonte dos desejos




FONTE DOS DESEJOS

Remanso das águas, paz e calma.
Corpo entregue ao vento
Liberdade total de minha alma
Que viaja nas páginas do tempo.

Pensamentos, imagens em fragmentos.
Lembranças dos meus amores
Flores, ilusão, tantos juramentos.
Beijos á proporção das minhas dores

Arrepender-me-ei por mais não viver
Urgem os dias, afastam-se as cores.
Mata-me amiúde este bem querer.
Tu não vens me ver...

A vida ainda pulsa, essência do ser.
Tenho o sangue quente, em fervores.

Quero-te além dos horizontes.
(águas paradas distam-se do mar)
Meu ego teima em querer ascender
Eu mulher sou uma fonte
Jorrando mel para teu prazer!

Amor de poeta




AMOR DE POETA


Amo a rosa tatuada em teu rosto, a tua boca.
O beijo selvagem que explode feito rio que deságua no mar
Este riso espontâneo, malicioso, que meu desejo aflora.
Contigo amada por toda a vida quero ficar.

Amo teus cabelos negros, cheirando flores do campo.
Vasta cabeleira que brilha como noite sem luar.
Feito menino fico perdido,
Sou homem e sou criança, um poeta a te amar.

Amo a mulher que habita neste corpo,
Dele desvendo os segredos mais íntimos,
Sou guerreiro vencido.
Esta tua cintura, moldura que me deixa louco,
Um caminho sinuoso que termina, abrindo
As portas do paraíso.

Amo teus olhos da cor inexplicada
De ave noturna,
Que pousa nos meus,
Buscando a luz do dia.

Amo teus braços porque são a grande armadilha,
Prisioneiro voluntário de um forte abraço,
Foge-me o tempo,
Não sei se é dia...
Não sei se é noite...

Proibida




PROIBIDA

Azul proibido, brilho
De magnitude plena
A invadir minha casa
Sem permissão.

De posse da alma,
Senta-se na cama,
Arranca a roupa
E diz que me ama.

Faço-me frágil,
Finjo desmaio,
Que nada sinto,
Homem objeto.

Eufórica pelo domínio,
Usa-me até o ápice,
E eu para não estragar
O momento
Sufoco o grito
No travesseiro.

Jasmim



JASMIM

Um súbito perfume de jasmim.
Viajo tentando te encontrar,
Para te tocar...Beijar...Acariciar...
Doce lembrança, metade que foi
Perfeita,
Plantada até as raízes dentro de mim.

Foi-se a poesia, das cores perdeu-se
O brilho, tudo ficou pálido,
E eu condenado a amar-te desse jeito...
Sentimento que transporta ao infinito,
sem fim...

Se pudesse por um instante apenas,
Tê-la nos braços, não soltaria jamais,
Envolveria meu corpo no seu, como néctar
Na flor e ali apegado em sua alma,
Poderia morrer, seria a paz enfim.

Lua cheia





LUA CHEIA

Quando o brilho baixava na janela
Adentrando o espaço sem pedir licença
Feito um ladrão desnudava a bela
E ela diamante aceso a refletir

Reflexos e trajetórias do sentir
Almas mutantes a acasalar
A sombra da paixão a luzir
Projetando um só corpo ao luar

Indizível cumplicidade e luxúria
Lua cheia de provocações e lascívia
Branqueia, gira e a voltear faz tremer.

É uma luzerna esplendorosa!
Nos meus olhos, plena, audaciosa.
Dos amantes o arroubo, o prazer!

Dá-me tua mão!






DÁ-ME TUA MÃO

Sobre ombros cansados, um fardo pesado.
Pensa na aurora, no orvalho matutino.
Hás que ver o brilho esqueça o desatino.
Faltou um amor de verdade, abençoado.
Olha-me carinho, sempre estive a teu lado.
A união de nossas almas é a luz, o caminho.
Para ti sou rosa e tu serás meu passarinho
Vem viver um amor livre, tens que aprender.
Na vida ninguém é feliz sozinho, vem viver.
Agora experimenta, tenta dar-me um beijinho!

Esquecerás que o vento forte verga a alma
E a desordem sombria que se fez em teus dias
Os ossos doem, estalam, mas o coração porfia.
Acredita que o sentimento puro te trará a calma
Enterrada em torvo labirinto estará a escura lama
Venturoso será o amanhã... Juntos em nosso ninho.
Dá-me tua mão agora, sigamos bem juntinhos.
Na estrada da esperança reside nosso destino
Ouça a passarada a entoando um doce hino
Louvores a um amor que chegou de mansinho!

Mais e mais vinho!



MAIS E MAIS VINHO!

Vinho de perfume embriagador
Provoca-me as mais loucas sensações
Cabelos soltos ao vento, risos e canções.
Nada posso fazer para acalmar o calor
Meu corpo queima, a cabeça gira, é o amor.
Meus dias são de festa, o sol se põe e protesta.
Queria ele compor-me sublime seresta
Ma tu és o poeta, versos e rimas alucinadas.
Poesias que me deixam totalmente hipnotizada
Ama-me de um jeito que nem o céu contesta!

Nosso leito é o delírio, palácio reluzente.
Onde as uvas da fertilidade em comunhão
Faz de mim uma deusa coroada de paixão
Sou a mais linda das nubentes, atraente.
Afrodite, a mais feliz das viventes,
Fiel a teus carinhos, beijos, doces afagos.
Vou vivendo entre mimos e regalos
Devaneios sem fim, arrepios a nos envolver.
Mais e mais vinho, da tua boca para sorver.
E eu lua vermelha, efervescente e cativante!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Previsível amor






PREVISÍVEL AMOR

Do astral transbordou o sentimento.
Derramou ondas de ternura, um véu.
Uma chuva foi levada pelo vento.
Lágrimas verteram das nuvens do céu.

Excelso, vivaz, real semeadura.
A terra preparada, solo fértil.
A meiga flor recebe a opulência.
A eternidade no espaço zenital.

Previsível amor entre deuses.
Um encontro marcado, cintilante.
Fusão de essências em êxtase.
A estrela com a lua crescente.

Um rio, doce água feminina.
Do alto, uma visão celestial.
A rosa vestida de noite azulada
Recebe o pássaro, o vôo madrigal.

Toda mulher é Helena!











TODA MULHER É HELENA!

Tu queres a lua, dama invulgar.
Áulico deseja o augusto símbolo
Fria em aspecto que o faz evolar
E aquela túnica branca, quer violar.

Fausto, tens paixão exaltada pela castelã.
Senhora do céu, infinito particular.
Dos amantes fervorosos, presos ao afã.
Que lhes verte das veias sem minguar

Tu estás em gaguez e gaforinha
Ante ao esférico desejo.
Almejas possuí-la, fazê-la tua rainha.

Mariano, hás de duelar por um beijo.
Helena na terra, lua no céu, um véu...
Avante, aos piparotes, vitória aos lampejos!
II

Queres a noite e seus mistérios?
Anunciado está um olhar azulado
Estrela majestosa, em órbita a te perturbar.
Onde hás de encontrar-te com os delírios

Vestida de festa para o baile celestial
Teu par, girando as arestas.
Bailando por sobre teu corpo, palco ocasional.
Fantasias que a natureza te empresta

Helena, bela e fogosa a menear as madeixas.
Doirados cachos de tuas incertezas
Há de ouvir tuas eloqüentes queixas

Derrubar as muralhas de Tróia
Sucumbir finalmente em teus braços
Balbuciar: _Amo-te! Eis tua glória!


MULHER NA CONCEPÇÃO DA PALAVRA



                                                                                     


Mulher na concepção da palavra

Plenitude que faz o encantamento
De asas prontas para o vôo
Em teu corpo abrasante, meu momento
Descaramento do ato e não perdôo.

Vou ofegante, acesa, entorpecida
Sou mulher, fêmea, sorriso Monalisa
Encontro o ponto maciço enlouquecida
fera na era cibernética que se realiza.

Gueixa, nívea, prazer saciado
Escorre de minha boca o néctar
E meus olhos adormecem apaixonados

Outros sonhos irão se realizar
Na fantasia do sexo, verbo conjugado
Eu e meu amado, mais motivos para pecar!

VESTIDA DE ESTRELA



                                                                                     

VESTIDA DE ESTRELA

Brisa que invade madrigais e lírios
Para cobrir-te beijos.
Andorinhas e borboletas num lampejo
Desabrocham em minha alma e a voltear
Para ser simplesmente, novamente,
Brisa.

Sabores e odores, perfumada e em sintonia
De um amor, pérola de águas claras.
A perseguir o acalanto de versos e rimas.
Querendo ser.
Regada de poesia, um desejo contraído,
O renascer da flor, ávida pelo teu amor!



Ventos do sul a nortear a inatingível
Certeza.
Vestida de azul viaja a brisa,
Fingindo-se de estrela para que os
Teus olhos a vejam,
Nem que seja por um instante apenas...

ETERNAMENTE BRISA



                                                                                     



ETERNAMENTE BRISA

Em imensidão de cânticos
Sagrados disparam as nuvens
De algodão,
Espalhadas pelo vento,
Em acalantos e prantos a
Consumar a paixão.

Carruagens vermelhas
Desfilam a toda brida.
Em lentidão somente as horas
De aconchego,
A música do piano, partitura
Extraída de um sorriso do amor
Explicito,  a bafejar na alma,
A paz, a calma.

Amor que chora lágrimas da
Perfeição, que perfeito seria
Se houvesse na eternidade
Mais um dia...(para estar contigo!).

E outro, além, para sempre,
Infinito, constante, eternamente
E deste poeta à rima exata, conexa,
Direta, simplesmente brisa!


Se disseres te amo...








SE DISSERES TE AMO....

A escuridão este suplício está a me rondar
Da noite sou passageira fiz minha morada
Fantasma a vagar pelo quarto, mãos geladas
Sem identidade, querendo apenas te encontrar
Um nó na garganta, forca, uma força a sufocar
Grito à paixão, (ninguém escuta) ela a me corroer
Lembrar-me de tua imagem, meu peito a doer
Saber que teus lábios, delineada boca não sentirei
Beijos que não dei...Gosto que não provei...
Morrer em teus olhos seria a glória, o prazer!

Lívida, falta a vivacidade, estou a sofrer
Em cova funda, profunda solidão a esperar
Tuas mãos quentes abaixo da cintura a permear
Martírio, gozo enrustido, estou a fenecer
Meu corpo precisa do teu, fogo para sobreviver
Tu não vens livrar-me deste gelo, deste tormento
Pólos diferentes, não respiro, sou só lamentos
Mas se disseres TE AMO, renascerei agora
Seguirei-te a qualquer parte, mundo afora
Livra-me, dá-me teu amor, dá-me encantamento!


                                     



Sempre vou te amar



                                                                                                                           





SEMPRE VOU TE AMAR!
Um feixe de luz entre as águas
Hipnotizando as ondas.
Entorpecidas sorriem e despejam
As brancas espumas.
Anjos sobrevoam entre plumas.
Sintonia, o amor vai além dos
Portos.
O oceano em sinfonia ouça!
Sereias meneando os cabelos...
Há no céu um azul que de teus olhos
Principia.

Encantada pela magia, uma sombra
Projeta-se e atraca.
Beijo as águas marinhas na tentativa
De acariciar o infinito de teu corpo.

Âmbar minha alma exala,
Desejo e fascínio, caudalosos
Sentimentos em rebentação.
No coração desta mulher sem
Segredos a ocultar,
Veleja a certeza de sempre
E sempre te amar!




Musa



M U S A

Venham águas de cascatas
Caudalosas,
A rufar, turbilhão em sons,
Numa euforia de cachoeiras.
Sereia!

Venham pássaros
Respingando revoadas,
Habitantes dourados.
Querubim!

Venha essência invisível,
De “elementares” com
Sua grandeza de energia
Imperceptível.
Fada!

Venha terra vermelha,
Mãe das fertilidades,
Raízes da América.
Índia!

Venham planetas,
Asteróides e estrelas.
O universo em mim.
Íris!

Venham todos os aromas...
Todos os brilhos,
O mais cálido poema,
Venha mulher amada!







PERDOA-ME POR TE AMAR



PERDOA-ME POR TE AMAR...

Enfeitei a mesa com rosas e vinho
Pela casa a ecoar nossa melodia,
Imagino-te chegar num terno de linho.
Outra vez a brindar sozinha, tua taça vazia.

Confusa, bêbada de emoções e devaneios,
Impregnada, declarei morte à ilusão.
Imensuráveis foram meus anseios.
Tinto era o vinho, sangra o meu coração.

Perdoa-me por te amar...O quarto gira...
Teu rosto por todos os lados, louca visão.
Vejo-te sorrindo, acenando, alucinação.

O gesto é de adeus, finjo não notar.
Sei que irá para nunca mais voltar
E contigo levará toda a minha inspiração!

Tu és o meu amor




TU ÉS O MEU AMOR!
Presumida noite, semblante sutil.
Voam fantasias, libélulas acasalando-se.
Ao redor da núbil lua neste céu anil
Ele vestido de azul, provocando-me!

É anjo ou criatura
(minha mente não configura)
Que na escuridão se apresenta,
Desenha-se.
Nobre cavaleiro de espada em
Punho, desafiando o mundo
Ou um deus grego do amor.
Talvez, sedutor!

Mas é o matiz que pinta o mar,
Que faz a lua se jogar em teu leito
Quando o sol vai descansar.

És o homem que vive em meus
Sonhos,
De olhos iluminados,
Acenando-me e
em gritos
Alucinados
pedindo:
Mulher vem me amar!

Labaredas da paixão




LABAREDAS DA PAIXÃO

Quando chegar o verão... Estarei mais radiante
Meu amado sol, distante, virá me aquecer
Em teus braços deliciosamente vou me perder
Cada amanhecer será quente, melhor que antes

Minha alma sempre delirante
Sobre mim aquele olhar ofuscante
Êxtase, o suor a escorrer
O prazer, certamente não vou deter

Dias de labaredas da paixão
Nossos corpos ansiosos e ardentes
Tão cúmplices, almas em ebulição

E novamente tuas mãos persistentes
A deslizar, renovando a emoção
Em violação a buscar posições diferentes.

Preto e branco



PRETO E BRANCO

Vou ansiosa, apressada, ávida
Brilham os olhos, estou sem malas
Sem roupas, nua, eu e mais nada
Caminhos só de ida, sem volta

Tu me esperas do outro lado
Pingos dourados molham meu corpo
Chove sentimentos em minha estrada
Sou tua metade, lua eterna apaixonada

Noite estás aí de braços abertos
Pelos céus tudo já estava previsto
Indelével manto negro a me proteger

Juntos somos o romance, o beijo
Símbolo da paixão, perfume do desejo
Consagrado nas madrugadas até o alvorecer!



Não me olhe assim...



NÃO ME OLHE ASSIM

Não me olhe assim querendo amor
Estou tão sozinha nesta noite escura
Surge você um boêmio sonhador
Para conquistar esta dama das alturas!

Fico ruborizada, lua enamorada
Plena, branca de emoção
Esta mirada deixa-me envergonhada
Sou a encantadora... Você sedução.

Mas o que dirão os amantes
Sem entender não terão inspiração
Notando-me da noite ausente
Não consumarão a paixão.

Não me olhe assim, tenha pena!
Sou recatada, solto a fera que hiberna
Rasgo a roupa e entrego-me mansa
Há tempos não libero esta devassa

Não me olhe assim. Novamente
Vou descer do pedestal
Basta de ser minguante
Quero saciar este desejo carnal!

O homem que quero





O HOMEM QUE QUERO...


O homem que quero, que espero
E desejo,
Não precisa ter idade comprovada.
Que o tempo da sua vida seja igual
A minha em fantasias, prazeres
Latentes, inerentes.
Sou menina, nubente, senhora,
Nada importa.

Pode ter conflitos, defeitos,
Ser alegre ou triste.
Mas nada que nos impossibilite
Dos fetiches.

Não precisa ser discreto,
Apenas direto aos objetivos.
Sem prantos nem lástimas, em
liberdade explicita a viajar
pelo meu corpo feito turista
Recém chegado ao país do pecado.

Vão-se os vôos para outras
Paisagens
Só não vai a vontade de encontrar
Um doido num vôo atrasado.

Essência






ESSÊNCIA E outra vez chegaste, Aroma de romãs vermelhas, Rubis maduros. Senti os teus passos Firmes pisando meu peito de Mansinho. Coração num pulsar forte, Acelerado. Eis que Não sou mais eu, Nem és tu. Somos éter, terra, fogo, ar. Água, o sal dos mares do sul. Somos gaivotas em vôos Remetidos ás naus carregadas De desejos. Nada nos importa. Velamos nossas sombras, Nossos olhos velejam além E se detém Nos botões da camisa, No zíper do vestido. Linho branco que o vento leva, Desnudando-nos de preconceitos E sem preceitos nos impele, Impulsiona ao gozo e a Um sorriso que venceu o destino!

De anjo a felino







DE ANJO A FELINO
Nossos corpos se tocam, ouço banjos...
Provo o gostinho da eternidade
Mel silvestre da boca de um anjo
Soa gritos de prazer, ansiedade.

Leva-me ao delírio, vôo em tuas asas.
Embalando os desejos livres pelo ar
Marcas em todos os cantos da casa...
Infinito céu, sua boca a me beijar.

Olha desnudando minha alma
Pois nua exponho apenas a mulher
Rosa de labirintos, pétalas sem calma.

No ímpeto de mais e mais me querer
Vira felino, um tigre no cio a acasalar.
E eu a presa, nada faço a não ser ceder!

Homem virtual



                                                                                     




HOMEM VIRTUAL

Vou contando os minutos...Outro beijo.
A ansiedade minha fiel companheira.
Desfio o tempo, escalada das trepadeiras,
Rubras de saudade e explicito desejo.
Minha alma a fluir em desassossego...
Queria ter-te agora, em meio a esta relva.
As esmeraldas salpicam teus olhos de selva.
Tua boca, água cristalina a matar a sede
Da paixão vivaz,  tatuada em minha pele
Que pulsa e faz-me sentir uma deva.

Meus pés sentem a terra, cio, instinto
Teu corpo moreno exposto às caricias
Emanam de meus cabelos o toque, a delicia.
Arrepios percorrem tuas grutas, labirintos.
Um poema nasce entre os devaneios e sinto
Que as rimas perdem-se no vasto matagal
Que compõe esta silhueta que o torna mortal
Tudo tão utópico, vagando por uma floresta
De pensamentos que vertem e me infesta
Deito-me e sonho contigo, homem virtual!


Perdição azul






PERDIÇÃO AZUL

Perdida neste céu, firmamento azulado
Topázio onde flutuam minhas esperanças
Emergem meus sonhos, fantasias de criança
Reflexos celestiais do teu olhar, meu amado
Estrelas cintilam e instigam-me ao pecado
Este brilho é o fascínio do meu viver
Tu és um anjo e leva-me ao puro prazer
Em ti há uma sutileza inexplicável
Boa a boca, um sabor imutável
Entorpece e faz esta mulher se perder

Teu lume causa-me emoções incontáveis
Sou tua metade perfeita, tua senhora
Faço tudo sem pressa, esqueço as horas
Aflora em mim desejos inimagináveis
A pele queima sensações incontroláveis
Vou mergulhar no azul do teu olhar
Banhar-me em suores, sereia do mar
Saciar esta sede em teus doces beijos
Tu não me negarias tal ensejo
Bem sei que a paixão está a te fulminar!


Meu pecado




MEU PECADO

Para tentar expressar os desejos
Seria lua, estrela, encantamento
Frescor da brisa, dar-te um beijo
Teu sorriso, o contentamento

Sopraria teus cabelos num lampejo
A arrepiar teu corpo inteiro
Convidar-te-ia para o leito e no ensejo
Declararar-te-ia amor tão verdadeiro.

E cedinho acordarias alado
Em minha visão o anjo do amor
Teu corpo estaria iluminado

Tu bem sabes o quanto és amado
Acostumada estou com teu sabor
Por isso meus versos rimam com pecado!

DE AMOR NÃO SE FALA

Vertiginoso




VERTIGINOSO



Quando o sol tocou a nubente senhora
O céu de nossos olhos mudou a cor
Rubro se tornou por amor, aquela hora
Nossos corpos unidos, chamas sem pudor.

Asas ás fantasias, fonte de mil beijos
Vertiginoso lampejo, sem calma
a verter um eclipse, vivaz ensejo
Vermelho a invadir nossas almas.

Mistérios da noite inebriante
Onde as palavras são tão delirantes
Que aquecem os versos dos amantes

Explícitos em pecado, sem atenuantes
Forjou-se poesias, abusou-se das consoantes
Para que a paixão fosse melhor que antes!


sábado, 17 de outubro de 2009

Eu quero, tu desejas



EU QUERO, TU DESEJAS!

Direi-te que me apraz este flerte
Entre sol e lua há mais... Crisol!
Ai de mim que só penso em ter-te,
Junto ao meu peito, luz do arrebol!

Tu estás em mim, és minha pele
Amor que verte em meus poros
Banha-me de essências e impele
Às volúpias tão contrárias ao decoro

Minha alma serpenteia
Eu quero, tu desejas, luzes acesas
Irradiados de paixão e surpresas

Avidez, senhora que vagueia
Aos círculos entre casta flor e beleza
E resume o querer em certeza!

Dissimulada







DISSIMULADA


Este corpo de mulher que ainda desejas
Formas sinuosas, arte, dália flor.
Não tem princípio, meio e fim, só amor.
Meu toque suave não negue ainda almejas
Vem estou ávida. Vem me beija!
Exposta a qualquer olhar num jardim
Posso cometer um desatino, ai de mim.
Que fico assim, com todo este recato.
Ciente de que sou bela, um bom prato.
Ao destrato perco este jeito de querubim!

Tu cavalheiro não há de deixar-me assim
Prostrada nesta noite linda, enigmática.
Deixe o coração falar, não use tática.
Vais permitir que o encanto chegue ao fim?
Posso cometer um desatino, ai de mim!
Apaixonada por um beija-flor dourado
Que de todas as flores faz o teu reinado
Fico a excitá-lo, vertendo mel e delícias.
Armadilha para prendê-lo às minhas carícias
Antes que outra mais atirada o faça por mim!

Eu te desejo




EU TE DESEJO

Quero provar do fruto proibido
Foi a maça a perdição do paraíso
Vem, quero teu corpo tão impreciso.
Quero o fogo, a chama da libido.

Você tem tudo o que preciso
Mas não ostenta, deixo-o escondido.
Beija-me, atenda meu pedido.
Ama-me com ternura, sem vacilo.

Aperta-me, não seja tão indeciso.
Deixa-me louca, a perder os sentidos.
Quero exaustar-me, perder o tino.

Quero-te, leva-me ao delírio.
Faz do meu corpo teu abrigo
Tira a roupa, faz amor comigo!


Opulência do prazer II





OPULÊNCIA DO PRAZER II

Eis que suposições e tantos pensares
Fazia do semblante um tétrico olhar
Revoltava-lhe saber-se só, em pesares
Um viver fadado aos azares, sem amar

Desolada, mal amada...Ríspidez
Esquecera o sentido de um sorriso
Fechou-se para o mundo, insensatez
Sem um talvez, sentimento tão impreciso

Desabotoou a blusa com violência
O volume á mostra, soltos ao vento
E gritou que perdera a decência

Vencida pela solidão, nefasto tempo
Assumiu-se mulher em opulência
Entregue á paixão sem mais negligências.

Opulência do prazer




OPULÊNCIA DO PRAZER

Silhueta obumbrada no anoitecer
Antecedia-lhe plácido âmago
Esquecera a opulência do prazer
Mas sem querer provou um afago

Embriagou-se, doida saiu a correr
Pelos vastos olivais verdejantes
Sensação que não pudera prever
Não estava na obra de Cervantes

Explodira o peito, tremera o mundo
Calor e frio era amor profundo
Despira-se então do véu da virtude

Foram as plumas ao vento voraz
Esquecera-se do viver fugaz
Para ser mulher em plenitude!



Tu não sabes...





TU NÃO SABES...

Tu não sabes amor meu, sagrado desejo.
Segredos querem romper, absorver teu beijo.
Tudo pode lhe parecer fantasia, euforia.
Mas o amor tem seus toques magia.

O fogo em nós quer ganhar outras dimensões
Para abranda-lo devemos dar asas ás emoções
Vem comigo contar estrelas, ser poeta.
Veja o vôo sutil das azuis borboletas.

O revoar inocente dos frágeis pardais
Imagine-os como se fossem anjos celestiais
Vamos coroar nossos dias com eternos madrigais
Certeza de que seremos um símbolo aos casais

Vês o arco-íris a nascer em meu jardim?
Matizes de flores tantas, rosas, lírios e jasmins.
E tudo isto foi criado para ti e para mim
Pelas mãos delicadas de um sábio Serafim.

Tu não sabes a imensidão do meu querer
Cai a seda que reveste a verdade por dizer
É mais que pele é corpo, coração, é alma.
Não sabes, mas irás saber, teu amor acalma.

Eleva meu espírito, dá prazer e me faz crer.
Que sentimento igual ao nosso enaltece.
O êxtase é algo divino além do que podes ver,
Embriagador como o vinho que a ti apetece.

Fases




FASES

Em vagas horas
A lua de soslaio,
Volta-se e dá-me
Uma piscada.
Abro um sorriso
E a levitar vão meus
Pensamentos.
Hoje é dia de
Encantamento!

O simples atinge
O ápice,
Inda que seja por
Um instante.
Eu e você, juntos,
Consumando a paixão.

E ela fingindo-se
Envergonhada,
Muda a fase,
Ruborizada a despedir-se
Da madrugada!

Nua!




NUA

Mulher em teu doce beijo
Há tanto enlevo,
Tantos devaneios.
Este jeito amoroso
E sincero
De tocar o meu rosto
E despentear o meu cabelo,
Deixa-me entregue
Aos teus encantos
E não há dor ou tristeza
A privar-me deste instante.

Amada, por ti
Enfrento qualquer conflito,
Sou teu herói e o bandido
Que te rouba os carinhos.

Se o desejares posso assumir
O papel de
Tchê Guevara...
Nelson Mandela...
Ou quem sabe até
Pablo Neruda....

És a rainha, dona absoluta
Deste coração que pulsa
Em êxtase ao ver-te
NUA!







Louco amor



LOUCO AMOR

A loucura que ora me invade
Cálice embriagador da paixão
O amor é sutil majestade
E em teu corpo tanto tesão

Você é a fantasia que sempre quis
Às vezes sou fada encantada
Trago no olhar a mágica
A transmutar-me em onça pintada

Só você sabe me fazer feliz!

Nossas almas se atraem
Alquimia perfeita, ouro e prata
Entrelaçados nada nos detém
Sou bruxa apaixonada
Por um rei sem vintém!

Sou felina, tenho minhas malícias
Um aroma exótico, sensual
Unhas afiadas para dar-te carícias
Nosso amor é de transcender o normal

Eu mulher sinto-me vitoriosa
Você meu homem fez-me assim
Nossas noites são sempre gloriosas
Deitar contigo é loucura sem fim!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Sem pudores



SEM PUDORES

A correr pelas veias uma química
Espalham-se hormônios de desejo
Ao sentir o sabor daquele beijo...
Não foi preciso falar, foi mímica.
Nossos olhos se casaram como música
As notas saltaram da partitura
Do ré, mi, fá, ah! Deixei de ser pura
Realizada sim, sem perder a lisura.
Morte á censura tão pudica
Ergo a bandeira do amor em praça pública

Ser mulher é a grande magia
Perde-se a inocência, encara-se a realidade.
Pois do ventre vem a maternidade
Sexo não é só um ato de regalia
É a entrega de corpos em supremacia
Minha alma quer morar com a tua
Esparramar-se em tua cama, toda nua.
Embriagar-se de prazer ao anoitecer
Curar-me da ressaca do dia ao te ver
Fazer coisas que não se pode prever
E que me perdoe a digníssima lua!

POIS NÃO TENHO VERGONHA DE SER FELIZ!!!!!!!!!

Franco atirador





Franco atirador

Sem aviso prévio tomou-me inteira
Pérvio, franco atirador em mira
Bancarrota da minha inverneira
Trêmula e hipnótica. Ingira.

Vão-se os laços das fitas de cetim
Da camisola preta ora tão insinuante
O turbante da inocência ao chão e enfim,
Os detalhes do entalhe oculto, devorante

Não obstante, o desejo se faz eletrizante
Provoca outros atos inconseqüentes
Encostado na parede um corpo excitante

Alvo confirmado, tiro serpeante
Vítima do sexo viripotente
Desfalecida até outra hora pelejante!

Língua surreal



Língua surreal

Na construção da desordem do dia,
A viga ereta explode, coberta de
Argamassa.
O buraco do elevador, de tanto
Sobe e desce dispara o alarme
De incêndio.
Vai e vem enlouquecido,
Gritos...O prédio vem abaixo!

Não basta? Então...

Serei explícita, minha língua atrevida
Moça fogosa formou-se bailarina
Dança em teu corpo, impávida
Do pescoço até o fogo da lamparina

E ensaia outros passos mais audazes
Mansamente vasculha outros pontos
Entre as pernas, coxas tão eficazes
Um bailado de pirilampos tontos

Estrelinhas surgem de repente
Embriagues sem éter coadjuvante
No palco de uma cama, mormente

A perseguir desejos mais excitantes
Acaba morrendo em tua boca quente
Num último grito de gozo dilacerante!

Noite dos pecados




NOITE DOS PECADOS

Noite, tu testemunhaste o ensejo.
Pingos de ouro traem o teu matiz
Sorriem as estrelas, o céu está feliz.
Sol e lua perderam-se aos beijos.

Não negues! Vês o orvalho dourado?
São provas do ato consumado
Amar assim não é pecado!
Vês os anjos e seus flauteados?

Ah, escuridão! Tu és cúmplice
Estás a ocultar tão exposta verdade
Em teus olhos vejo insanidade

Acalma-te! É o fulgor dos desejos
Perceba, teu manto negro rasgou.
E nua agora, diga-me quem pecou?

Tuas carícias



TUAS CARÍCIAS

Adoro tuas mãos em meu corpo.
Descem suaves percorrendo todos
Os lugares.
Tocando meus seios através do decote
Do vestido vermelho delírio.
Desfiando minhas meias, tuas unhas
E os dedos?
Procurando a flor oculta toda acesa,
A mão não enxerga, quem se importa?
O sapato no canto observa, tuas
Carícias sobre meus quadris e já não
Agüento.
Encaro-te de olhos virados e peço:
Depressa, penetra antes que eu me
Arrependa e feche a porta.
Não crês que a deixo sempre assim
Escancarada e basta de conversa,
Vamos ao que interessa.
Atravessa logo a linha do pecado,
Vieste até aqui agora deixa teu recado!

domingo, 4 de outubro de 2009

Pão e vinho



PÃO E VINHO

Meu vestido grená o vento agita, alicia.
Uma bandeira sem pátria a fulgurar
Em meus braços tu vens se aninhar
Embeber-se em minha íntima essência
Sorver minha calma perder-se nas carícias.
Um jeito especial de violar meus segredos
Beijar-me até desbravar os vinhedos
Inebriar-se ante as doces primícias
Aroma fatal da uva e suas delícias
No calor da paixão verve os desvelos

Farfalham sensações velozes ao vento
Despenteando as montanhas verdejantes
Pensamentos crônicos, concomitantes.
Passam os dias, não passa o encantamento.
Juntos somos alegria, contentamento.
Na brisa a docilidade de tua imagem
Na estranheza do tempo, uma miragem.
Palavras sem sentido, bocas ávidas.
Embriagados, loucos, almas apaixonadas.
Juntos somos pão e vinho, voragem!

Acasalamento




ACASALAMENTO

Mil noites de negror e envergaduras.
Curvam-se os galhos dos seringais
Ante o vento que perpassa e murmura:
Mulher, tu continuarás pura? Pensai!

Mil dias de exéquias e clausuras
O sol levanta-se em violação
Sem virtudes nem sombras ou lisuras
Serás fêmea na palavra e na concepção.

Inda queres ser donzela após as primícias
Ciente do cio humano tão natural?
A fera do desejo provoca, são as delícias!

Libertai a pomba inocente, angelical
Mutante - águia predadora- inicia
O ciclo do acasalamento irracional!

Anjo atrevido


 



ANJO ATREVIDO

Há tempos nos conhecemos, séculos
Meu anjo, companheiro, amigo
Moreno fruto de sabor másculo
Por um momento amor estiveste comigo

Tuas asas me envolveram sutilmente
A esconder-nos dos deuses noturnos
Nossos corpos se tocaram ardentemente
Rompendo os portais de um dia divino

Encontro de sol e lua, proibido
Tal eclipse era imprevisto
E o infinito te fará um mortal

És um pecador, um anjo atrevido
Do paraíso inocente serás banido
Melhor assim, serás só meu afinal!



sábado, 3 de outubro de 2009

Sentimentos


SENTIMENTOS

Vai-se mais um janeiro
De dias incessantes.
Não há como detê-los.
A fluir no incerto,
Vão meus sentimentos.
Ontem instigantes e eis
Um incauto.
Foi tudo impreciso.
O flautear de noites
Enluaradas, cantigas
Melancólicas, sem
Versos nem prosa.
Foi ambíguo, alquebrado.
Quão afável poderia ter sido,
Alteroso, ritmado,
Num compasso acelerado,
Rompendo o vento...
Descortinando o tempo
E a ti novamente encontrar.