domingo, 27 de fevereiro de 2011

Soneto dos cinco minutos




SONETO DOS CINCO MINUTOS



Alguns segundos para arrancar

a roupa, a boca espumando

o prazer se aproximando e falar

não convém, apenas sussurrando



Os olhos cobertos a brincar

lusco-fusco se consagrando

Gato alongado é preconceito e amar

não é para qualquer que fica espiando



Parada obrigatória, um trago de prazer

Nas curvas perigosas derrapadas

Um beijo em marcha lenta, o que dizer?



Não perdi o bonde, esperteza e querer

é um volante avariado nas mãos aladas

o deleite é quem comanda, é o chofer!



Soneto saqueador




Nas luzes desfeitas, cama desarrumada

Meu mundo lírico gira às avessas

Num olhar de negror vejo-me desejada

Alço asas vou ao futuro de promessas



Antecipo a noite, lua vadia prateada

Homessa, para tal deleite não há pressa

Não faço de rogada, loba declarada

Meu horizonte balança e é bom à beça



Promessas de um novo limiar acende

corpos e pensamentos tão imprudentes

devorar-te na ceia e nada me prende



Pois se um raio de luar pode de repente

Invadir teu corpo-sol exposto e ardente

Posso também saquear o viripotente



quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Homem lorde



Homem lorde




Despontou como luzerna matutina

trazia no olhar o lumem âmago

nas mãos toda uma vida coralina

Esparzindo mais e mais pressago



Folgo em dizer que o amor alucina

Traz ao ansioso corpo precioso afago

Culminantes estradas que ditam a sina

dias inolvidáveis, comer o fruto,o bago



Sem embargos e fúteis solenidades

Em adoração a esse homem-lorde

arranco a decência a dentes sem vaidades



Cravo-lhe as unhas nas costas e há recorde

sobe a temperatura, explode a voracidade

Gozos em néctares até que o dia nos acorde!

Noite das orgias




Noite das orgias





Frêmitos e orgia louca dos ventos

Serpe a voltear pelas entranhas

veneno , seiva e descaramento

odor bacante a fazer artimanhas



Louca ânsia de um acasalamento

Volúpias evoluindo em façanhas

num ato febril de cravamento

na teia sutil espera a aranha



Carne viva lírica virginal

Véu de noiva seda gretadura

Candura, reflexo do arrozal



Boca da noite flor açucenal

Tragando inocente lua e perdura

o céu em sulferino magistral!

Fazendo arte



FAZENDO ARTE



Entre Melenas da noite escura

adornadas de prata, lua em flor

Estampa, beleza da natura

pintura agraciada de amor



Moldas o meu corpo com ternura

barro, argila, fêmea, és escultor

das linhas sinuosas da cintura

nuances, vigor no ponto de calor



Em nú artístico vão as pinceladas

resvalando naquilo que é óbvio

sem moldura, cena antecipada



Estática sem ser recatada

Poses que atiçam, evolui o ópio

Sou tela -escultura bem amada!





Soneto provocador




SONETO PROVOCADOR



Ora porque não diz somente a verdade

Palavras encharcadas de puro amor

Se teus olhos revelam, brilho traidor

A euforia em tua face é a realidade





Dançavas só a nossa música, covarde

Ias em passos suaves em sombra incolor

As mãos presas em si mesmo por vaidade

Porfia quando tão explícito é o topor





Finges ser absorto, mero expectador

perfídia não é avatar de nobre bardo

Saiba nem a lua cheia lhe dará o fulgor





Desejo, beijo, marca d'água em flor

Carinho é maciez, pele de leopardo

fazes graça sem pena de minha dor!



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Poema corajoso


POEMA CORAJOSO



Dizes de um poema corajoso

Há nele ações habituais

Sexo entre seres, bem jocoso

Delicioso e cenas parafernais



Seria isso tudo pecaminoso?

No mundo da carne, os casais

praticam atos libidinosos

Corpos em lusco fusco viscerais



A carne tem lá seus designios

Somos irracionais frente ao desejo

Penso que somos meio símios



Peraltices e trejeitos num fio

dental que ora uso e prevejo

que a rima sexual deixou-te frio!







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Calcinha




CALCINHA



Intrínseco luar, íris a luzir

há na boca, paz, alvura

Os dentes a distinguir

entre umbigo e cintura



Qual a parte mais pura?

Os olhos tentam assumir

a direção da flor gostosura

calcinha branca a resumir



Há um tesouro a se descobrir

um cheiro de rosas inebriantes

Entorpece, não dá para fugir



Calor enredando, desejos a fluir

Reviras o teu céu e delirante

à dentes arranca o que está a cobrir!







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