CONSUMIDA
Este homem que comigo se deita,
Tem um jeito especial de dizer
Coisas absurdamente lindas,
Explícitas eu diria.
Tem a pele morena onde a roupa
Mostra e branca onde só eu vejo.
De teu corpo vem um calor imenso
Que o meu absorve e faz-me derramar
Em suores e licores.
A voz soa como um acorde de bandolins.
Fico de perna bamba cada vez que ele
Abre a boca e diz que me ama.
Fadada ao delírio, esparramada na cama,
Sou dele o objeto.
Sou consumida por noites seguidas, como
Se fora dele a comida e o ar que respira.
Para ser bem sincera, estou vivendo no
País do tesão ou seria perdição?
Tudo faz sentido, porque sou devorada e
Vou morrer no paraíso.
Mas levando comigo as marcas de tuas
Mordidas tatuadas do pescoço ao umbigo.








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