quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Consumida



CONSUMIDA



Este homem que comigo se deita,
Tem um jeito especial de dizer
Coisas absurdamente lindas,
Explícitas eu diria.
Tem a pele morena onde a roupa
Mostra e branca onde só eu vejo.
De teu corpo vem um calor imenso
Que o meu absorve e faz-me derramar
Em suores e licores.

A voz soa como um acorde de bandolins.
Fico de perna bamba cada vez que ele
Abre a boca e diz que me ama.
Fadada ao delírio, esparramada na cama,
Sou dele o objeto.
Sou consumida por noites seguidas, como
Se fora dele a comida e o ar que respira.

Para ser bem sincera, estou vivendo no
País do tesão ou seria perdição?
Tudo faz sentido, porque sou devorada e
Vou morrer no paraíso.
Mas levando comigo as marcas de tuas
Mordidas tatuadas do pescoço ao umbigo.

Tenho um jeito...




TENHO UM JEITO...

Tenho um jeito inconseqüente
De borboleta monarca,
A pousar em sândalo proibido
Que dele é o perfume preferido.

Tenho um jeito irreverente,
Meio contundente
De dizer palavras incoerentes
Quando em desejos latentes.

Tenho um jeito agressivo
De manter-me sempre na defensiva.
Tentativas vãs de fugir de tuas
Investidas.

Tenho um jeito frágil
De mulher porcelana.
Sou firme como rocha magmática
E não quebro na cama.

Tenho um jeito inocente
De encostar-me em teu peito
E fingir-me de carente. Nesta hora
Sou sereia.

Tenho um jeito feminino
De passear em teu corpo,
Olhando a vitrine que dos teus olhos
Despontam.
Aí, meu caro, perco o tino.

Tenho um jeito de mulher madura,
Experiente,
Mas que para ti será jovem
Eternamente!

Banho de chuva!



BANHO DE CHUVA

A primavera insiste em meu
Peito morar.
Flores estampadas num vestido,
Sempre-vivas.

No coração uma oração,
bate em descompasso.
Rogo por ti em devoção,
Não sei o que faço
Com a solidão.

Nos olhos vertendo
Em lágrimas a volitar
Imagens de um tempo feliz.

No olfato, o fato,
O cheiro que paira no ar,
A impregnar meu corpo,
Aroma de anis.

Tudo se perdeu em enxurradas
De tempestade de verão.
Fico então sentada na calçada,
Sentindo os pingos da chuva
A lavar minhas emoções.
Esperança renovada em outras
Estações...


Feliz Natal a todos!


sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

BANDIDA












BANDIDA

Regressei de repente, firmei os pés no chão.
E você pergunta e daí, acaso vives no mundo da lua?
Voltei, mas daqui não saí, estou na mesma rua.
Louca não são seqüelas da paixão.

Livrei-me das cicatrizes do passado.
Fiz uma plástica nas saudades,
Vesti-me de sorrisos e vaidades
Só viajo de primeira, nas asas do pecado.

Vivo no submundo dos desejos
Bandida que roubou os seus lábios
Num mundo de longos e árduos beijos

Falta-me oxigênio às vezes e eu tento...Delírio...
E na realidade de outro sonho prevejo
Sua boca a me levar a outros hemisférios!



AFRODISIA




AFRODISIA

À luz do dia um rubi a luzir
Lábios em exposição, dentes marfim
Rosa vermelha a te seduzir
Dança nua em frenesim

Êxtase, olhos de noite sem fim
Âmbar negro em expectação
Íris dilatada, face carmim

Pernas, braços, laços em comunhão
Ocultando outra flor aflita
Ansiosa pelo calor de tua mão

Bandolins, o coração palpita
Compassar dos dedos e desejos
Abaixo da cintura, paraíso se agita

Gritos, frases sem sentido, beijos
Adormece depois do prazer
Ressuscita, inicia-se outro solfejo

Rosa absorvendo o bálsamo
Que brotam de teus poros
Levando teu corpo ao páramo

Flor de teus dias, a atiçar a fantasia
Folia na inspiração, sensações
Tua pele arrepia, é tudo afrodisia!

Vem agora....


VEM AGORA...

Abra as portas de teu coração.
Deixa de frieza...Não às barreiras.
Esqueça a lucidez, perca a razão
Para nós não existem fronteiras.

Instale-se em meu viver
Dá-me teu mel, tua perdição
Será meu homem e eu tua mulher
Para ti viverei com devoção.

Invada minha casa, minha alma
Com euforia, ajeite-se na cama
Ama-me e sinta o gosto, a emoção!

Seja meu amor, meu doce poeta
Serei tua musa, tudo será festa
Vem agora...Dá-me tua mão!

LAÚDANO


LAÚDANO

Desabrochada flor, paixão, lauto
Ajeita rapidamente as melenas
A equilibrar-se nos longos saltos
Roupas amassadas e na mente falenas.

Ergue-se em corola úmida
Visgo incolor e ensaia um riso
Dizia-se balzaquiana pudica
Rendera-se ao inimigo, sem siso

Na batalha entre o sim e o não
A carne traiu-lhe, esquecera o pejo
Láudano em excesso, louco desejo

Vejo-a mais bela a cada estação
Em carmim, oferece-me beijos
Sou um a mais a seguir o cortejo!

MIOSÓTIS






MIOSÓTIS

Algum dia virá...
Estarás a passos mais lentos,
Não tenho pressa, te espero.
Haverás de ter percorrido
Muitas trilhas, os caminhos
De tua agitada vida.

Cansado de amores fugazes,
Luzes artificiais,
Virás buscar o brilho de
Minha alma, o azul de minha
Aura, a paz, a calma.
O carinho desta mulher
Que te adora!

Virás submisso aos desígnios
De teu coração.
Fatigado por tanta dedicação
Sem encontrar uma grande
Paixão.

Virás porque sabe,
Sou eu, o miosótis de teu
Destino!

ABSOLUTA



ABSOLUTA

Flores a exalar aromas, ênfase de meu poema.
Alva manhã, branca pomba.
Luzes e velas, meiga, a mais bela.
Fascínio e alegria deste homem que te ama.

Senhora dos meus sentimentos
Sou de ti e para ti um instrumento
Usa-me, não faço objeção.
A saciar minha louca paixão

Desejo incontido por absorver teu corpo
Arrancar-te as roupas,
Jogá-la em meu leito,
Envolver-me em teus cabelos
E feito meliante roubar-te os beijos.

Preciso de ti como a noite precisa da lua.
Brilho de minha alma,
Que me faz delirar,
Quando estás totalmente nua!

Afloras e flutua em meus pensamentos
Como acordes da mais louca canção.
Sou teu poeta desvairado,
Tolo apaixonado
E tu és dona absoluta do meu coração!

MAL INTENCIONADA




MAL INTENCIONADA

Pensares tantos sem prantos nem lamentos.
Tento evitá-los, impossível dissimular
Atento para o jornal, os acontecimentos
Mas eles de ti não querem afastar.

Estou a sorrir, as notícias são tristes
Não dá para manter-me concentrada
Em cada viagem consumam-se os deslizes
Crêem-me louca, estou é apaixonada

Ilusórias horas em que és meu e sou tua
Na cama aos gemidos, sol e lua
Perdi a rima...Mal intencionada.

De repente sinto um solavanco
A lucidez em confronto
Tarde demais, estou molhada!

Peregrina


PEREGRINA

Lume que impregna n’alma,
Assaz acalma, revigora e
Aflora em redundância.
Absoluta em azul, desponta.

Lucerna em culminância
Com tua tez morena,
Estanca as lufadas, canta,
Ecoa e mantém-se em
Constância.

Sudeste,origem dos matizes
Do luzeiro.
A estrela noturna passeia
buscando
Um poeta altaneiro.

E ele em cismas nem percebe
Que lá em cima uma peregrina
O observa e vela querendo ser
Dele o brilho derradeiro.

ESTRELA


ESTRELA!

Reconheço-me em teu olhar de tantas cores
Altar solene, céu de sinceridade
Onde habita a poesia, a verdade
Somos um do outro, cultuamos amores.

Tu és astro que me ilumina meus passos
Todos os caminhos me levam a ti
Sou mais mulher, sou frenesi
Quando encontro os teus abraços

Teu brilho provoca-me devaneios
Onde sou escrava de teus enleios
E tu és o sol a acalorar-me com beijos

São fantasias, seqüelas sem freios
Ao me ver em teus olhos, deixo o luzeiro
Eu estrela entrego-me ao brilho do desejo!

Fases e encantos


FASES E ENCANTOS

Clara é a lua, atraente senhora noturna
Dama da noite, misteriosa, atuante
Inspiração dos poetas, rima divina
Vem nua e brilha para os amantes

Despida baixa o ventre, gesto sutil
Afoita, rola, desliza docemente
Aos acordes de uma canção pueril
E faz a paixão surgir loucamente

Nos olhos nuance metálica
Impregnada de prata, a tática
Para beijar-te longamente

Sou mulher, tenho fases e encantos
Lua de mel a provocar deslumbramentos
Ao sol que me espera todo radiante!

Anjo






ANJO


Surges assim,
Vestida de festa,
Raio de sol a
Invadir minha calma.

Danças assim,
Toda dourada,
Arranca aplausos
Do pianista eufórico
Por tocar-te a alma.

Sorri assim,
Esta cor de marfim,
Teus dentes a cravar em mim.

Da cama prisioneiro,
Fogo e brasa que
Alastra,
chama de horas e horas,
Até em cinzas acabar.

Causa delírios
E suspiros...

Deitas enfim,
Para despir-se da
Fantasia de um querubim.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Que vês?


QUE VÊS?

Gosto de andar nua, sou devassa
Você me olha, descalça de pudor
Sente tremores, perde-se na graça
Minhas coxas causam-lhe torpor

Tenho síndrome de Eva, a verve
Hás de morder a maçã até caroço
Fruto proibido para nada serve
Vou passar as pernas no teu pescoço

Serpente hipnotizando teus olhinhos
De menino inocente, tão bonzinho
Carente á espera de meus carinhos

Mas por favor, aposenta a timidez
Homem sorria, chegou a tua vez
Abri as portas do mundo, o que vês?

Tango




TANGO



Bate forte coração, segue

O compasso da canção.

Letra que fala de beijo,

Amor e paixão.

Recostada em teu ombro,

Esqueço que estou no salão.



O corpo flutua,

Levitar da alma.

Perfume absinto,

Minto...

Odor masculino!



Teu cheiro e este jeito

De apertar minha cintura...

A orquestra acelera,

Ritmo sincopado,

Perco a compostura

E sou toda tua,

Até o último tango!

Fantasia




FANTASIA



Frente ao mar, horas a fio...

Vai e vem de ondas, aos pés

Brancas espumas.

Em pensares tantos, olhos fixos,

Dissipam-se as lacunas, as dúvidas.

Partem outras naus.



No horizonte, linha reta,

Paradeiro perfeito.

A imagem da musa,

Inspiração do poeta.



Vestida de dourado,

Sorriso nos lábios,

Boca perfeita.

A libar na evolução do

Momento.

Eufórico pensamento.



Visão sem rédeas,

Insana, a tunar,

Volta ao mar



Instiga, bate e reflete.

Absorve, verve.

O sol já se despede.



O poeta viaja na imensidão

Marinha e atraca no porto

Da realidade.



Findou-se o dia,

Lá se foi a epopéia,

A fantasia...

Poeta também ama!




POETA TAMBÉM AMA



Em noites brancas e perfumadas,
Inspiração, lirismo,
És meu senhor!
Luz que inebria, a esta poeta
Alucina.
Sonhadora, divaga nas alturas,
Flutua.

Poesia nascida do fundo
De minha alma enamorada,
Que te cultua.
Versos colhidos dos jardins
Alados,
Botão em flor,
Ode ao meu amor,
Que longe está sem saber
Da minha dor.

Paixão e desejo, solfejo.
Encantamento das horas
Em que imagino teu sorriso
E almejo
Teu abraço, o sabor de teu
Beijo,
Você por inteiro!

Secretária do Futuro







SECRETÁRIA DO FUTURO

Vou desconfigurar meus
Pudores.
Na tela do meu computador
Surgirá uma nova fantasia.

Nua, caminharei pelas
Ruas,
Esquecendo a mulher
Que já fui um dia.
Um chip usado!

Deletarei todos os arquivos
Ocultos e temporários,
Aumentando a potência dos
Desejos enrustidos.

Libertos os anseios, on-line
Há de me chegar um homem
Ousado, trazendo-me uma rosa
E me convidando a dançar um
Bolero.
Neste momento a conexão com
O passado será desligado e o
The end será reservado.

Programa criado para iludir-me,
Sair desta rotina,
Da sala de um escritório onde só
Computam-se dados de uma vida
Vazia.

Louca poesia






LOUCA POESIA




Louca poesia, azul de meus olhos perdidos.

Fibra invisível que conduz ao firmamento.

Estrela, matiz das águas do oceano.

Orvalho que num espasmo livra dos espinhos.



Perfume de lilases a encharcar a alma.

Papoula, violino, rosa noturna, madressilva.

Aroma divino, pétalas, conchas marinhas.

Orquestra das águas, o cantar dos passarinhos.



Teu nome é música, flautear de anjos em festa.

És primavera que impregna em minha vida.

É brisa e excita, bem vinda, minha querida.



Minha única e inesquecível estrela,

Canção eterna, maresia, poesia!

Quem é você?



QUEM É VOCÊ?

Embarcações partem todos os dias
E com elas mastros e velas,
Solitários ao vento, meus pensamentos.
Nas águas revoltas, torvelinhos.
Um mistério submerge,
Quem é você?

Por entre espumas brancas tua face,
Rosa pálida. Expressão de santa ou
De gueixa.
Pedra gelada, marmorizada.
Um anjo, mulher da vida ou donzela?

Para ela não encontro a rima
E sinto-me perdido ante o reflexo de
teus olhos a confundirem-se com os
pelos e cabelos.
Mistura de amor e medo,
A pesar em meu peito, sem decifrar-te
O segredo!

Mulher sim e dai?



MULHER SIM E DAÍ?

Quem sou agora, Marília, algures
Isolda em pintura. Não me procures
O que sou senão esquálida mulher
Sem Dirceu ou Orfeu para consolar
O que sou tu não aceita e deitas
sobre minha sombra que se crê maldita.
Atira-me todo o dardo, sou mira de tua
Inútil filosofia.

Quem sou eu que te provoco amor e
Ódio, ópio do ínfimo desejo, colombina
Em quarta-feira de cinzas. Fel na boca,
Cabelos em serpentina.
Sou messalina, tragicomédia num palco
De luzes naturais, teus olhos cor de mel,
Poemas rabiscados num papel.

Quem sou eu senão Ambrósia vestida
De Frida Khalo e me calo ao bradar
Do tempo que me corrói as entranhas
Por ser tão estranha e inaudível.
Sou seu afã mais oculto e luto munida
De adagas entre o bem e o mal, mas
Estou em cima do muro e só desço se
Confessares a paixão.


Sou e estou além das fantasias.Meu
Corpo, escultura erótica, entalhada,
Criada para acender a chama do prazer,
Sem corrosões, em estado de preservação
No museu do teu pensamento arcaico.
Ou crês que a mulher é tão somente uma
Estátua, um troféu que cultuas num sótão,
Das tuas conquistas?

Sétimo céu



SÉTIMO CÉU

Pobre de ti com essa síndrome de Morfeu
Perdeste a tarde febril, viva glória
Púrpura paisagem com o vento ateu
Aos delíquios, sostenidos de vitória

Estórias do mar em calmaria a refletir
A divina noiva estampada no olhar
E pecar...Ai de ti que estás a dormir!
A sonhar com alguém para lhe amar

Despertai, vinde iluminado aos meus braços
Sou beleza, a estrela que andas a procurar
Vinde em corpo e alma, em brasa, nú, descalço
Estrela matutina, feminina, a te esperar

O dia vai nascer, esperança a brilhar
Rei sol irá surgir, romper o sétimo céu
E eu tua Vênus terei mil beijos para te dar.
E nas alturas então, a lua será de mel!


O teu olhar



O TEU OLHAR
A luz nos seus olhos não me faz ilesa
Ninguém supõe o fogo em minh’alma.
viver contigo, faz-me nobre, princesa
Teu calor me atiça, paraíso é nossa cama.

A inutilidade, parcas palavras,
Inutilidade das coisas rotineiras
Silêncio às pedras e a entoar mantras.
Minhas mãos passeiam, apalpadeiras

Em tua boca deixo meu silente desejo,
O dom, a essência feminina, meu ser
A carne arde em meu corpo esguio, teu beijo
Tu tens o mel e o sal que me faz viver

Subtileza de um olhar que fulmina, incêndio
Que me leva a mais e mais me perder!
Querer-te é romper a linha do hemisfério
Extravasar os sentidos e no amor renascer!

sábado, 28 de novembro de 2009

Juras




Por um olhar






POR UM OLHAR

Por um olhar
Daqueles que dá calafrios
Levarei-te para a cama
E em arrepios te pedirei
Para me amar.

Ali, jogado sobre o leito
A explorar meu corpo,
A sentir meu cheiro
explodiria o coito.

Licores e gozos,
Sabores e odores
De tua boca.
O abrir e fechar das
Pálpebras, eu muito louca...
Exercitando as pernas,
Bamboleando a cintura,
O quarto gira...

Toca o celular, soa
A campainha,
A vizinha...
A chaleira apita na cozinha,
Nossa!
Deixe-me sonhar!

Lua




LUA

Luz serena, de brandura a apaziguar
Nos amantes as carências e saudades.
Segredo da natureza a amenizar
Solitários corações e suas verdades.

Eis vestida de prata a avançar.
Atravessa minha janela, vivaz
E vem em minha cama pernoitar.
Encontro mágico, nada é fugaz.


Rompe o dia, eu não o queria!...
A realidade não é boa companhia.
Olho o céu...lá está a pairar...

Minha sombra já não obedece,
Está apaixonada, não esquece
E só a ti lua quer amar!

Volúpias




VOLÚPIAS

Em teus beijos e carinhos quero me perder.
Estive por tanto tempo solitária, carente,
Que talvez tenha que contigo aprender
Como agir, fazer amor novamente.

Meu corpo estremece, a alma arrepia,
Imaginando o toque de tuas mãos,
O calor de teus braços, tuas carícias...
Em volúpias tantas. Que tentação!

Não tenha receios, entregar-te-ei minha rosa,
A meiga flor, dentre todas a mais airosa,
Como símbolo desta louca paixão.

Por toda a vida esperei este momento
E darei vazão aos meus sentimentos
gritará mais forte, por nós, a voz do coração!

Feitiço de verão




FEITIÇO DE VERÃO

Se me fitas longamente
Fitas de cetim desatam
Pombas saltam docemente
De meu peito e te tocam

É verão, algo me seduz
Se me fitas longamente
Imagino nossos corpos nus
E abraçados simplesmente

E fazes fita, carícias
Tuas mãos tão interessantes
Deslizando em primícias
Violando-me, somos amantes

E sem amuletos de sorte
Figas, patuás que dê jeito
O feitiço é mais forte...
É verão, eu me deleito!

No violão uma toada



No violão uma toada

O sol levanta e despe as flores
Belas e muito insinuantes
Vibram as pétalas de todas as cores
Assim é o meu vestido provocante!

O arrebol se anuncia pelas fendas
Das janelas dos meus olhos morenos
Os teus...Fixos na calcinha de renda
Entre coxas, rosa coberta de sereno!

Pasmado ante a visão inusitada
Tu ponteias acordes no violão
Meu corpo agradece a toada.

Atordoada, pernas desafinadas.
Já não ouço, nem sei da canção.
Estou surda de excitação, suada...

SUB(missão)




SUB(MISSÃO)

Vou consumir-te até o
O suor explodir em teus
Poros.
Desalinhar teus cabelos,
Emaranhar-me em teus
Pelos.
E pelo que sei gostas de
Ser possuído.
Desabotoarei cada um dos
Botões desta camisa social.
Até que implores para que eu
Desça um pouco mais
E arranque cada perna das suas
Calças.
Passo a passo até chegar as
Meias e sem meias ações,
Deixá-lo em nu artístico e
Pintar tua expressão com meu
Batom no espelho esfumaçado
Pelo teu hálito quente.
Submisso, ansioso pelo ato
Final, amarrado à cama,
Sentirás o peso do meu corpo,
Matando teus desejos.
Minha língua sufocando as
Palavras...
O poema não tem rimas, agora
Tu estás por cima.
È a minha vez de mudar de
Posição num jogo de entra e
Saí e lá vai...

Orquídea negra



Orquídea Negra

Deusa dos jardins alados.
Mistério regado
de orvalho.
Plúmbeo matiz
oriundo,
obcecando os
Olhos do pecado.

Negro olhar
Fulminando o dia
Fechando a cortina
Da pureza
E na incerteza
Dos ateus violando
O sagrado.

Profana! Asas abertas,
Vôos lúdicos
Aprisiona a mente.
Tu és flor?
Imagem e mulher,
Vampira na miragem.
Medeixes!

Alucina-me com
Esses enfeites,
Cacho de flores,
Razão das minhas
Dores.
Poderia ser nívea,
Apaziguando minh’alma
Esfriando este torpor,
Gerando lucidez e calma.

Podias ser Isaura,
Refletir bondade em minha
Aura.
Quis o destino provocar-me
Tal desatino.
Desejar o inferno,
As chamas ardentes
De teu corpo feminino,
Vestido de orquídeas negras!

Proibido








PROIBIDO

Em teu rosto encontro definição
Traços que incitam minha libido
Querido em tua boca está a razão
O pecado de viver um amor proibido

No contorno de teus lábios, viagem
Estrada da perdição e longos beijos
Umidade de línguas em voragem
Olhos acesos, já perderam o pejo

As faces sorriem espontaneamente
As covinhas de teu queixo convidam
A mergulhar num sonho envolvente
Mormente desejo, almas que levitam

Olhos cor das tempestades de meu peito
Escuridão propicia, tema para amantes
Num quarto onde só se enxerga o leito
E o branco dos lençóis alvejantes.

Nas narinas levas o meu doce perfume
Que te traí quando estás só e distante
Ofegante imagina ser um vaga-lume
A amar-me, açucena inebriante.

Escuta sempre os sussurros da flor
A mordiscar tuas orelhas sem pudor
Em confissões que causam rubor
Pecado mesmo é não viver este amor!

Enquanto existir amor...













ENQUANTO EXISTIR AMOR

Eis que me abandonas oh sorte!
Falcatruas e penhores, dores
Nos sábios jogos da nefasta morte
Com risote, aspecto vil, magrote


Talvez a couraça o pesar suporte
Vês? A cruz que carrego são flores
Dos espinhos, cicatrizes e cortes
Que aportes! Inda resta-me amores!

Que sejam falsos, tu te importas?
Reluzem como ouro e são de lata
Este peito traz o aço e não entortas.

Sincera também não o é, te delatas!
Dilatado anseio, explode tua aorta
Quando a bela entra por aquela porta!

Por amor eu sigo...





POR AMOR...EU SIGO!

Pois se do amor fiz meu caminho
A dor, deixo-a, a mercê dos abutres
Que as devore, livre estou de definho
Porém silêncio, eles são tão vis, futres

Calvário é reservado aos desiludidos
Desavisados, a solidão negra existe
Insiste, coração a enfartar num descuido
Fartas lágrimas, por que ser tão triste?

Solitária estrada de quem não ama
Sem chamas da paixão, sem cama
Coração amargurado, infelicidade proclama

Portanto direi que um querer inflama
Tua insensatez, esta megera se doma
À luta, busca outro amor, saí da redoma!

BESAME MUCHO




BESAME MUCHO

Beija-me, neste beijo
Quero selar o envelope
Da carta que escrevi
Por tanto tempo.
A história da minha vida.

Beija-me como a nenhuma
Outra,
Que fico louca.
Tatuado em teus lábios
Ficará a marca do pecado.

Beija-me como se eu fosse
A
Primeira,
E sintas que serei a
A
Última.

Beija-me para sentir
O que há de mais puro
Em mim.

Depois diga se em outra
Boca
Já sentiu tanto amor assim.

Beija-me com ternura
Com loucura
E verás que sempre
Fui tua.

Besame...docemente,
Inevitalvelmente
Caliente!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Fascinação




FASCINAÇÃO

Teu rosto tem tantas formas diferentes.
Ás vezes és sol, colibri, mar, flor...
Em tudo que vejo está presente.
Sem explicação, tu és meu amor.

Não te conheço, nunca o vi.
Há sentimento, sinto tua presença.
Há saudades e sei estás aqui.
E o reconheço, esperança.

Tenho tantas lembranças...De ti.
Incrédula ao sentir ao gosto do beijo
Teus abraços a culminarem em desejo.
Devaneios, algo assim jamais senti.

Tão grande é a paixão, a alucinação
Que ao olhar-me no espelho
Não é a mim que vejo,
É a ti, fascinação!

Borboleta afoita





BORBOLETA AFOITA

Alguém me espera...Minha alma a flamar.
Posto que do sol o calor absorveu,
Atmosfera favorável ao clímax, o apogeu.
Radiante, vou para o abraçar, beijar.

Atravesso os canteiros dos jasmineiros.
Sou borboleta afoita, vôo entorpecida,
Ao perfume não resisto, deixa-me doida.
Extasiada, este olor...Teu cheiro!

Púrpuras horas regadas de amor,
Cio da flor,
O jasmim submete-se ao calor
Deste corpo aceso,
Inflamado de desejo,
Assaz, fagueiro.

Realizada crio outras asas.
Aromas bailando pelo ar
Atrevo-me até cantarolar,
Certeza absoluta,
Amanhã irás voltar!

Brisa

BRISA!

Adormecida em teus braços,
Além, muito além dos percalços,
sou cetim, um laço.
Deposito em teu corpo todo meu
Cansaço, o lasso.

A empatia ficou em casa.
Desvanecida sina, lívida, ora
Afortunada.
Sou impávida, nasci ávida,
Sem álibi, de cara lavada.
Sou a brisa a invadir tua vida!

Eu e a brisa

Eu e a brisa




EU E A BRISA

Ontem á noite a brisa da
Malícia fez-me visita.
Despreparada com minhas
Roupas íntimas, senti o rosto
Em chamas.

Perplexa ante o fato não tive
Palavras e apenas esperei o
Contato.

Ontem à noite despi-me da
Vergonha e descobri que a
Brisa costuma entrar sem pedir
Licença.

Hoje à noite vou escancarar as
Portas,
Esperando que a brisa atrevida
Volte a invadir minha vida.

Amor e flor




AMOR E FLOR

Calêndulas em matizes...
Na varanda da minha paz
Canto, meus dias são felizes
Encantamento de amor, assaz.

As crisálidas ganham asas
Nos meus pensares amorosos.
Entre beijos tu me afagas
Em Lágrimas, gestos ditosos!

Maravilhas, flores do amor
Colorindo minha face
A paixão traz-me o rubor
O viço, terno enlace!

Aves fazem festa em meu olhar
Das penas já me olvidei
Amo como jamais pensei amar
Tu és tudo o que sonhei!

VENERAÇÃO



VENERAÇÃO


Apelos que arrepiam todos os pelos.
Pelo que sei, te amo até em sonhos.
Carrego uma mecha de teus cabelos
Amuleto dos momentos enfadonhos

Cultuo-te no altar dos desejos.
Chama acesa vem do meu olhar
Louca por sentir teus beijos
Peço aos anjos para te guardar

Guardar somente para meus carinhos
Trazê-lo ao meu corpo, o caminho
De o instintivo prazer carnal

Tu és um homem especial, utopia
Sutileza de um poema, a alegria
Fantasia de mulher em alto astral!

Por amor



POR AMOR

Amar sem limites, adentrar ao paraíso
Onde campos de lírios em mansidão
Dão-me boas vindas, paz no coração
Tu tens tudo o que quero e preciso.


Divina glória eleva-me aos céus, amor
“Não serão os deuses astronautas”
Concedendo-me o vôo eterno em flor,
Pois se por amor a lira deixa a trauta?

E na falta de razões para um sentir
Que não se explica, deixo-me diluir
Palavras a “delivery” sem me iludir

Amanhã é dia de arco-íris luzir
Meus olhos em esperança no porvir
Amor por ti, arauto tempo a seguir.....

Aquarela



AQUARELA

E a manhã cantava docemente,
Frutas espalhadas pelo chão
Alvoroço de pássaros, incessantes
Num quadro tu eras um aldeão

Esgueirava-se à noite em primícias
Prímulas e rosas, com as saias ao vento
Num contento de faces pós-carícias

Borboletas saiam da paisagem sutil
Pousando levemente em meus olhos
O amor chegou assim, ninguém viu

Tu e eu sabemos do sentir febril
Dos aromas, da aquarela, da paixão sem refolhos
Pincelada exata, tuas mãos em meu quadril!

Eu e a lua


EU E A LUA

Tu és branca, anjo noturno
e me visitas sem ser anunciada.
Atreve-se à madrugada a projetá-la
em meu corpo.
Sou poeta linda donzela, não resisto
a um toque feminino.
Inspira-me um simples carinho e num
cismar vôo feito passarinho.
Volto a ser menino, brinco com minha.
sombra. Abraço-te e dou um beijinho.
Tu me lanças um sorriso nupcial, deixa-me
assim tão mal...Já não sei se é visão
Ou mulher real!

Lua vermelha




LUA VERMELHA

Tu virás em virilidade e a boca macia.
Sem preconceitos a despir-me dos defeitos
Sou branca e fria, apenas a tua Maria.
Fico bela quando contigo me deleito.

Apareço com minhas vestes magistrais
Com meus olhos feiticeiros e mais,
Nos poetas provoco versos passionais
E nos amantes coisas transcendentais

Queres esperar por um eclipse programado?
Liberte-se deste velho calendário
O agora urge, é tempo de ser amado.

Amar não é sentimento programado
Acontece sem explicação, sem horário.
Tu virás doido, hipnotizado!

II
Tu virás quando a aurora nascer
E o orvalho as flores acariciar.
Nesta hora, amantes exaustos de prazer.
Pensam no despertar, em recomeçar...

Sol a invadir meu corpo, sem prólogos.
Vestindo-me de dourado e me aquecer.
Meu servo encantado és o fogo.
Fiel aos meus delírios, fonte de prazer.

Rompe as barreiras do pudor
Meus olhos nus fazem a leitura dos teus
Chamas de desejo, meu grande amor.

Homem e mulher á beira da lareira
A paixão incendeia, lenha para queimar.
Frio é o copo de vinho á cabeceira.

III
E tu virás na eternidade deste dia
Em avidez, insanidade que principia
Quando cantam os pássaros de vigia
Espreitando-nos em íntimas carícias.

Vingam as rosas fogosas e macias
Veludo rubro onde dorme a fantasia
Que és meu escravo, luz do meu dia.

Minha face e fases tu entendes
Sabes satisfazer meus anseios
Agarra minha cintura e tremes

Preso neste círculo de devaneios
O infinito cúmplice precede...
Eclipse total dentro de quatro paredes!

Tu és o sol!




TU ÉS O SOL!

Afável melodia que irradia inocência
Angelicais criaturas és tu Fausto? Ouves-me?
Asas de plumas doiradas, coerência
Teu corpo delineado, tu és sol a cobrir-me!

Cálida presença e gritos ecoam, sou Aurora,
_Vens e faça-me senhora de teus anseios!
Tu és o clarão do dia! Poeta dá-me vida agora!
Se anoitecer vem o desvanecer e tu ficas alheio!

Olhai as rosas que brotam sem primavera
Olorosas e rubras, é por ti que vicejam
Oh sol tu és a razão das minhas quimeras!

Encanto, magia e sedução, sempre á espera
De transmutar-me, ser a mulher que veneras
Iluminada pelo teu olhar de louca esfera!

Lua de amores




LUA DE AMORES!

Porque da flor quereis apenas aroma?
Em viuvez de noite alta notai a lua
Branca pérola, adágio e poma
Entendei que te amo, sou tua!

Posso te dar mais que perfume,
Há um lume que vem de minh’alma
E reluz nas águas doces de um flume
Que em imensidão abraça-me com calma

Navegai pelo meu corpo, velas içadas
Azul céu, azul rio, nubente ansiosa
Entregar-me-ei, sou eterna namorada

Caso-me todos os dias, sou amorosa
Amante de ti oh bardo que me dá vida
Ávida que renasce mais e mais carinhosa!

Nua



NUA!

Vai barcarola!Ouça-me minha amante!
Leva-me junto dela, musa das algas.
Cujo corpo cravejado de corais está distante.
Quero sentir o âmbar, beber amor numa malga

De o éter sorver a embriagues, ah delírios.
Possuí-la é abraçar o mar com seus mistérios
Beijá-la quem dera, oh bela! Triste martírio!
Tão só na trilha dos golfinhos, resta-me frio.

Vai barcarola ao encontro da docilidade
Embate das águas, ela com suas anáguas.
molhada de suor, no auge da mocidade

Sigo com meu estio nesta busca que recua
Retrógrado em versos, poemas da idade
Numa cantiga dolente por querê-la nua!