sábado, 31 de outubro de 2009

Lua e sol



LUA E SOL


Quando brilhas no céu
Estreitas meu corpo que te chama
Em chamas retiro o fino véu
Para ser tua mulher, tua dama.

Apaixona-me o entardecer
Meus olhos mantém os teus reflexos
Mistérios me fazem te querer
E morrer em teus amplexos

Branca de virtude e fantasias
Sem saber onde acaba ou principia
Esquento a madrugada fria
Pois teu calor ainda se pronuncia

Ah, ânsia louca, teus beijos!
Ruborizada ante ao desejo
Que num instante de glória
Provoca um eclipse na história

Alhures os amantes se inspiram
Finalmente a paixão baila no ar
No céu estou de tanto amar
E as estrelas solitárias suspiram!

2 comentários:

  1. FUGITIVO


    Sempre que mergulho na multidão
    Há conflitos que não se extinguem
    Há o fogo que bebe a solidão
    E alimenta a fome de ser ninguém

    Perdi sonhos que nunca convidei
    E inventei as asas que não voam
    Viajei como qualquer louco sem lei
    E senti as dores que não magoam

    Sem passado futuro ou sementes
    Vivo como a côdea dos dementes
    E cada migalha que eu saboreio
    É um dia a menos na arte do receio

    Sou velho e vulgar se me enfureço
    Quando ouço os latidos das vinganças
    Escrevo as farsas que não mereço
    E leio as raivas feitas de bonanças

    Sou feito de fragas no ar da mudez
    Respiro o eco da brisa lendária
    Forjo contos com lábios de surdez
    E ergo os uivos da jaula centenária

    Não tenho amores ódios ou grilhetas
    Sou um passageiro da viela antiga
    E em cada candeeiro de operetas
    Há uma fuga que o tempo fustiga

    Eis o fugitivo de passo agreste
    Que em cada esquina da memória
    Assobia pelo fardo que se veste
    Quando se perde o sinal da História.


    Oeiras, 14/05/2009 - Jorge Brasil Mesquita
    www.comboiodotempo.blogspot.com

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  2. Jorge add seu blog. Obrigada pela poesia muito
    bela. Beijos!

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