
LUA E SOL
Quando brilhas no céu
Estreitas meu corpo que te chama
Em chamas retiro o fino véu
Para ser tua mulher, tua dama.
Apaixona-me o entardecer
Meus olhos mantém os teus reflexos
Mistérios me fazem te querer
E morrer em teus amplexos
Branca de virtude e fantasias
Sem saber onde acaba ou principia
Esquento a madrugada fria
Pois teu calor ainda se pronuncia
Ah, ânsia louca, teus beijos!
Ruborizada ante ao desejo
Que num instante de glória
Provoca um eclipse na história
Alhures os amantes se inspiram
Finalmente a paixão baila no ar
No céu estou de tanto amar
E as estrelas solitárias suspiram!
FUGITIVO
ResponderExcluirSempre que mergulho na multidão
Há conflitos que não se extinguem
Há o fogo que bebe a solidão
E alimenta a fome de ser ninguém
Perdi sonhos que nunca convidei
E inventei as asas que não voam
Viajei como qualquer louco sem lei
E senti as dores que não magoam
Sem passado futuro ou sementes
Vivo como a côdea dos dementes
E cada migalha que eu saboreio
É um dia a menos na arte do receio
Sou velho e vulgar se me enfureço
Quando ouço os latidos das vinganças
Escrevo as farsas que não mereço
E leio as raivas feitas de bonanças
Sou feito de fragas no ar da mudez
Respiro o eco da brisa lendária
Forjo contos com lábios de surdez
E ergo os uivos da jaula centenária
Não tenho amores ódios ou grilhetas
Sou um passageiro da viela antiga
E em cada candeeiro de operetas
Há uma fuga que o tempo fustiga
Eis o fugitivo de passo agreste
Que em cada esquina da memória
Assobia pelo fardo que se veste
Quando se perde o sinal da História.
Oeiras, 14/05/2009 - Jorge Brasil Mesquita
www.comboiodotempo.blogspot.com
Jorge add seu blog. Obrigada pela poesia muito
ResponderExcluirbela. Beijos!