terça-feira, 10 de novembro de 2009

Anjo errante





             
            

                                                                                     




ANJO ERRANTE

Alma livre, leve, solta
Flutua, levita,
Incita.
Plumas ao vento,
Sem descaramento,
Deter nem tento.
Toque febril,
Céu anil,
O mundo se abriu,
Acendeu-se o pavio.
Vôo além do limite,
Um carinho se permite.
Outro beijo e o deleite.
Dos meus cabelos o enfeite,
Voa feito pombo migrante.
Fita de cetim e enfim
Mulher feliz, anjo errante!




Um comentário:

  1. A IDADE QUE JÁ MORREU
    Quero fugir desta selva
    E escapar aos seus lagares
    Onde o diabo é urbano
    E o vermelho desta relva
    É o quadro dos esgares
    Que vergasta o tutano

    Não vou ser o pesadelo
    Que persegue a lanterna
    E a noite da iguana
    Finjo que o meu cerebelo
    É a peste da caserna
    E o tempo que se esgana

    Há fogo que arde de sede
    E odeia a lama do medo
    Se ouve o choro das hienas
    Logo há quem lance a rede
    Sobre a arte do segredo
    P´ra ouvir os sons das penas

    Não quero sugar as pontes
    Nem quero aspirar o fumo
    Que a manhã da chama planta
    Só vejo o ninho das fontes
    E o vento a mudar de rumo
    Quando a gárgula se espanta

    Ouço as canções das florestas
    E os mistérios das lagoas
    Que os grilhões da morte contam
    Mas não ouço os pés das festas
    Nem vejo o rastro das boas
    Nem as fragas que se montam

    A idade que já morreu
    Em folhas por escrever
    No cansaço das magias
    São poemas que ninguém leu
    Porque quem os sabe roer
    Perdeu-se em fantasias.
    Oeiras, 11/07/2009 - Jorge Brasil Mesquita
    www.comboiodotempo.blogspot.com

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