terça-feira, 10 de novembro de 2009

Quero-vos



    



                    









QUERO-VOS!

Homem amado vos é desse mundo?
Quantos augúrios hão de me assombrar
Nesse tempo de pensares profundos
A separar-nos a vastidão de um mar

É-vos apenas um pequeno batel solitário
Debatendo-se em meu peito venturoso
Coração que sangra por seres um desafio
E desfio a neblina, o destino brumoso.



Desejar-vos é ser grão de areia fina
A necessitar de um beijo de minerais
A elucidar a cor da face que ora desatina

Poderia-vos rogar de mim cabedais
O que tenho é só a virtude feminina
Entrego-me inteira e ofereço-vos mais!


2 comentários:

  1. MOMENTOS HUMANOS

    Eu juro que não quero ser famoso
    Mas a boca diz-me que sou guloso
    E entre os quinze minutos de fama
    E os corpos nus que vejo na cama
    Sou o pó do pavor que nos aclama

    Há filmes que filmam massacres de emoções
    Entre danças canções do mais puro consumo
    São regras que violam as violações
    E enrolam-me em vícios que só eu fumo
    Ao tornar-me em modelo de novas punções

    Há as horas que marcam a gravata das pressões
    E os batons que exibem o colapso das idades
    São os bombons que matam as preces das convulsões
    E vigiam os enfartes nocturnos das cidades
    Enquanto eu escondo a febre das supressões

    Há pacotes de filhos híbridos à luz das teias
    E há mães que moram em existências felinas
    São sombras que povoam a luz das mentes alheias
    E segredam ao sexo da astúcia o voo das sinas
    Enquanto sugo ao pranto o sangue das minhas veias

    Há matérias velhas no ar que podem explodir
    E até os santos dos sonhos podem ser vampiros
    São conversas de mudos que só nos fazem sorrir
    Até se descobrir os alvos dos nossos suspiros
    E eu que já não tenho língua só penso em fugir

    Há os acessos que acedem a lugar nenhum
    E a fraca multidão que por lá passa é cega
    Pouco importa que não haja letreiro algum
    Se o precipício for o botão que se carrega
    Enquanto o nó do meu vulto finge que o nega

    São atalhos que se escolhem com mais rapidez
    E vidas que se perdem como se fossem diamantes
    Um fluxo de plasticina que se molda à vez
    Como o disfarce que usam os velhos amantes
    Que se perdem nas encruzilhadas da frigidez

    A função do pulso é um acto que se ignora
    E a morte que se desfia é a dor da ideia
    A pressa é uma vertigem no muro da hora
    E o painel luminoso é o olhar que se incendeia
    Enquanto eu recordo o adeus final da maré-cheia

    Eu juro que não quero ser famoso
    Mas a boca diz-me que sou guloso
    E entre os quinze minutos de fama
    E os corpos nus que vejo na cama
    Sou o pó do pavor que nos aclama.


    Oeiras, 07/06/2009 - Jorge Brasil Mesquita
    www.comboiodotempo.blogspot.com

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  2. Occasum

    Autor: Orácio Felipe

    Johann é imortal. Mas a imortalidade carrega consigo muitas angústias. A maior delas, a falta de um amor que a acompanhe. Ele buscava, como criatura das trevas, uma companheira que pudesse transformar. Ele buscava um antídoto e havia conquistado alguma força compondo poesias, admiradas tanto pelos seus criados, Igor e Fredy, quanto por aqueles que o perseguiam. Seus buquês de palavras, como costumava chamar, eram entregues àquelas que admirava. Mas havia uma única rosa em seu caminho, para a qual ele passaria a dedicar sua existência, que não era efêmera. Um vampiro buscando extinguir sua chama assassina através do amor de uma mulher. Um soneto pode aliviar a dor no coração frio de uma criatura?

    www.clubedosautores.com.br

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