Homem amado vos é desse mundo? Quantos augúrios hão de me assombrar Nesse tempo de pensares profundos A separar-nos a vastidão de um mar
É-vos apenas um pequeno batel solitário Debatendo-se em meu peito venturoso Coração que sangra por seres um desafio E desfio a neblina, o destino brumoso.
Desejar-vos é ser grão de areia fina A necessitar de um beijo de minerais A elucidar a cor da face que ora desatina
Poderia-vos rogar de mim cabedais O que tenho é só a virtude feminina Entrego-me inteira e ofereço-vos mais!
Eu juro que não quero ser famoso Mas a boca diz-me que sou guloso E entre os quinze minutos de fama E os corpos nus que vejo na cama Sou o pó do pavor que nos aclama
Há filmes que filmam massacres de emoções Entre danças canções do mais puro consumo São regras que violam as violações E enrolam-me em vícios que só eu fumo Ao tornar-me em modelo de novas punções
Há as horas que marcam a gravata das pressões E os batons que exibem o colapso das idades São os bombons que matam as preces das convulsões E vigiam os enfartes nocturnos das cidades Enquanto eu escondo a febre das supressões
Há pacotes de filhos híbridos à luz das teias E há mães que moram em existências felinas São sombras que povoam a luz das mentes alheias E segredam ao sexo da astúcia o voo das sinas Enquanto sugo ao pranto o sangue das minhas veias
Há matérias velhas no ar que podem explodir E até os santos dos sonhos podem ser vampiros São conversas de mudos que só nos fazem sorrir Até se descobrir os alvos dos nossos suspiros E eu que já não tenho língua só penso em fugir
Há os acessos que acedem a lugar nenhum E a fraca multidão que por lá passa é cega Pouco importa que não haja letreiro algum Se o precipício for o botão que se carrega Enquanto o nó do meu vulto finge que o nega
São atalhos que se escolhem com mais rapidez E vidas que se perdem como se fossem diamantes Um fluxo de plasticina que se molda à vez Como o disfarce que usam os velhos amantes Que se perdem nas encruzilhadas da frigidez
A função do pulso é um acto que se ignora E a morte que se desfia é a dor da ideia A pressa é uma vertigem no muro da hora E o painel luminoso é o olhar que se incendeia Enquanto eu recordo o adeus final da maré-cheia
Eu juro que não quero ser famoso Mas a boca diz-me que sou guloso E entre os quinze minutos de fama E os corpos nus que vejo na cama Sou o pó do pavor que nos aclama.
Oeiras, 07/06/2009 - Jorge Brasil Mesquita www.comboiodotempo.blogspot.com
Johann é imortal. Mas a imortalidade carrega consigo muitas angústias. A maior delas, a falta de um amor que a acompanhe. Ele buscava, como criatura das trevas, uma companheira que pudesse transformar. Ele buscava um antídoto e havia conquistado alguma força compondo poesias, admiradas tanto pelos seus criados, Igor e Fredy, quanto por aqueles que o perseguiam. Seus buquês de palavras, como costumava chamar, eram entregues àquelas que admirava. Mas havia uma única rosa em seu caminho, para a qual ele passaria a dedicar sua existência, que não era efêmera. Um vampiro buscando extinguir sua chama assassina através do amor de uma mulher. Um soneto pode aliviar a dor no coração frio de uma criatura?
MOMENTOS HUMANOS
ResponderExcluirEu juro que não quero ser famoso
Mas a boca diz-me que sou guloso
E entre os quinze minutos de fama
E os corpos nus que vejo na cama
Sou o pó do pavor que nos aclama
Há filmes que filmam massacres de emoções
Entre danças canções do mais puro consumo
São regras que violam as violações
E enrolam-me em vícios que só eu fumo
Ao tornar-me em modelo de novas punções
Há as horas que marcam a gravata das pressões
E os batons que exibem o colapso das idades
São os bombons que matam as preces das convulsões
E vigiam os enfartes nocturnos das cidades
Enquanto eu escondo a febre das supressões
Há pacotes de filhos híbridos à luz das teias
E há mães que moram em existências felinas
São sombras que povoam a luz das mentes alheias
E segredam ao sexo da astúcia o voo das sinas
Enquanto sugo ao pranto o sangue das minhas veias
Há matérias velhas no ar que podem explodir
E até os santos dos sonhos podem ser vampiros
São conversas de mudos que só nos fazem sorrir
Até se descobrir os alvos dos nossos suspiros
E eu que já não tenho língua só penso em fugir
Há os acessos que acedem a lugar nenhum
E a fraca multidão que por lá passa é cega
Pouco importa que não haja letreiro algum
Se o precipício for o botão que se carrega
Enquanto o nó do meu vulto finge que o nega
São atalhos que se escolhem com mais rapidez
E vidas que se perdem como se fossem diamantes
Um fluxo de plasticina que se molda à vez
Como o disfarce que usam os velhos amantes
Que se perdem nas encruzilhadas da frigidez
A função do pulso é um acto que se ignora
E a morte que se desfia é a dor da ideia
A pressa é uma vertigem no muro da hora
E o painel luminoso é o olhar que se incendeia
Enquanto eu recordo o adeus final da maré-cheia
Eu juro que não quero ser famoso
Mas a boca diz-me que sou guloso
E entre os quinze minutos de fama
E os corpos nus que vejo na cama
Sou o pó do pavor que nos aclama.
Oeiras, 07/06/2009 - Jorge Brasil Mesquita
www.comboiodotempo.blogspot.com
Occasum
ResponderExcluirAutor: Orácio Felipe
Johann é imortal. Mas a imortalidade carrega consigo muitas angústias. A maior delas, a falta de um amor que a acompanhe. Ele buscava, como criatura das trevas, uma companheira que pudesse transformar. Ele buscava um antídoto e havia conquistado alguma força compondo poesias, admiradas tanto pelos seus criados, Igor e Fredy, quanto por aqueles que o perseguiam. Seus buquês de palavras, como costumava chamar, eram entregues àquelas que admirava. Mas havia uma única rosa em seu caminho, para a qual ele passaria a dedicar sua existência, que não era efêmera. Um vampiro buscando extinguir sua chama assassina através do amor de uma mulher. Um soneto pode aliviar a dor no coração frio de uma criatura?
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