ANJO ERRANTE
Alma livre, leve, solta Flutua, levita, Incita. Plumas ao vento, Sem descaramento, Deter nem tento. Toque febril, Céu anil, O mundo se abriu, Acendeu-se o pavio. Vôo além do limite, Um carinho se permite. Outro beijo e o deleite. Dos meus cabelos o enfeite, Voa feito pombo migrante. Fita de cetim e enfim Mulher feliz, anjo errante!
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A IDADE QUE JÁ MORREU
ResponderExcluirQuero fugir desta selva
E escapar aos seus lagares
Onde o diabo é urbano
E o vermelho desta relva
É o quadro dos esgares
Que vergasta o tutano
Não vou ser o pesadelo
Que persegue a lanterna
E a noite da iguana
Finjo que o meu cerebelo
É a peste da caserna
E o tempo que se esgana
Há fogo que arde de sede
E odeia a lama do medo
Se ouve o choro das hienas
Logo há quem lance a rede
Sobre a arte do segredo
P´ra ouvir os sons das penas
Não quero sugar as pontes
Nem quero aspirar o fumo
Que a manhã da chama planta
Só vejo o ninho das fontes
E o vento a mudar de rumo
Quando a gárgula se espanta
Ouço as canções das florestas
E os mistérios das lagoas
Que os grilhões da morte contam
Mas não ouço os pés das festas
Nem vejo o rastro das boas
Nem as fragas que se montam
A idade que já morreu
Em folhas por escrever
No cansaço das magias
São poemas que ninguém leu
Porque quem os sabe roer
Perdeu-se em fantasias.
Oeiras, 11/07/2009 - Jorge Brasil Mesquita
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